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Como se perdoar

 
Por Sara Sanchis, Psicóloga especializada em Crescimento Pessoal. 29 julho 2020
Como se perdoar

Perdoar a si mesmo exige um processo de introspecção, no qual nos tornamos conscientes de nossos atos, das consequências e dor gerados, pedimos perdão e assumimos a mudança de comportamento necessária para não repetir a situação. Em certos casos, algumas pessoas não podem se perdoar a si mesmas, o que gera uma redução no seu desempenho diário e, a longo prazo, pode repercutir negativamente em sua saúde mental.

No seguinte artigo de Psicologia-Online, mostraremos os motivos pelos quais estas pessoas não podem se perdoar, a importância de conseguir atravessar este processo de forma positiva e vamos compartilhar alguns conselhos para você conseguir fazer isso. A seguir veremos como se perdoar.

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Por que não me perdoo

Se perdoar a você mesmo/a exige um processo através do qual conseguimos aceitar a responsabilidade de ter prejudicado uma pessoa, expressamos nosso mal-estar por isso, tomamos atitudes para reparar isso ou não repetir a situação e alcançamos, assim, um nível superior de consciência moral.

No entanto, há casos em que uma pessoa não é capaz de se perdoar. Isto pode acontecer por diferentes motivos:

  • O erro cometido provocou (ou não impediu) uma ruptura ou perda em uma situação concreta de sua vida: ruptura sentimental, ruptura de uma amizade, falecimento de uma pessoa, encerrar algum evento, etc.
  • O ego da pessoa é muito dominante e não a permite cometer erros, castigando-a por cada um deles.
  • Agentes externos lembram constantemente nossa responsabilidade no erro cometido: por exemplo, quando um familiar, amigo ou conhecido nos culpa frequentemente pelo ocorrido.

Em todos estes casos, a pessoa é incapaz de iniciar o processo de se perdoar, o que causa grande prejuízos psíquicos através da culpa e da vergonha.

A importância de perdoar-se a si mesmo

Quando cometemos um erro, é fundamental saber como se perdoar para seguir adiante com nossa vida de uma maneira positiva e saudável. Se perdoar não significa omitir o erro nem esquecê-lo. Para que o perdão seja genuíno, é necessário se responsabilizar pelo ocorrido e implementar um processo de introspecção que nos leve a corrigir o erro mediante comportamentos reparadores (externos ou internos), que são os passos preliminares necessários para nos perdoar.

A capacidade ou não de se perdoar geralmente é condicionada por certos aspectos da personalidade:

  • As pessoas que são capazes de se perdoar não pessoas que possuem e mantêm um alto nível de autoestima, de satisfação com sua vida e de bem-estar psicológico; são pessoas pró-sociais, amáveis e com grande facilidade para perdoar os outros.
  • As pessoas que não se permitem perdoar a si mesmas normalmente apresentam baixos níveis de autoestima, altos níveis de culpa, de ansiedade, depressão e baixa satisfação pessoal com a vida.

Segundo o Budismo, perdoar os outros pela dor que nos causaram e pedir perdão por nossos comportamentos errados, são atos necessários e imprescindíveis para ir limpando nossa parte negativa e, com isso, ir nos aproximando de nossa verdadeira natureza essencial.

Louise Hay, por sua vez, nos fala nos seguintes termos a respeito do perdão de si mesmo:

(...) Me perdoo por ter carregado essa carga durante tanto tempo, por não ter sabido me amar a mim mesma nem aos outros. (...) Continuo com meu trabalho de limpar as partes negativas de minha mente e deixar o amor entrar (...).

Deste modo, fica evidente como é importante pedir perdão por nossos erros e, dessa forma, se perdoar a si mesmo para poder seguir em frente amando a nós mesmos e aos outros.

Conselhos para se perdoar

Como se perdoar? Explicamos como perdoar-se a si mesmo através dos seguintes conselhos. Neste tópico falaremos técnicas para se perdoar a si mesmo, a terapia do perdão e como perdoar atos como uma infidelidade. Entre as diferentes técnicas ou maneiras de se perdoar encontramos as seguintes:

1. Analisar as causas

Por exemplo, analisar o que te levou a essa infidelidade (insatisfação com seu(sua) companheiro(a), vingança, comportamento impulsivo e mal pensado, etc.).

2. Tomar consciência das necessidades

O que pretendíamos com essa atitude? O que estávamos procurando? Por trás de cada ação, há uma necessidade que se pretende preencher. Pergunte-se e tome consciência sobre o que você está precisando.

3. Conectar com as emoções

Refletir sobre como nos sentimos ao cometer o ato. No caso da infidelidade, refletir sobre o que a experiência representou para você e como agir a respeito (foi algo pontual e passageiro, ou foi algo além da relação física, etc.).

4. Se responsabilizar pelos atos

Não procurar desculpas nem se esconder. Ser responsável por seus próprios atos te torna valente. Reconhecer é o primeiro passo para aceitar e poder mudar. São passos essenciais no caminho para se perdoar.

5. Assumir as consequências

Neste momento, é importante aceitar e respeitar as consequências de nossos atos. No caso da infidelidade, por exemplo: a dor gerada a nosso(a) companheiro(a) e a decisão que ele(a) tomou, ruptura do relacionamento ou distanciamento, etc.

6. Identificar os impedimentos

Estabelecer uma lista com as coisas que me impedem de perdoar a mim mesmo frente a aquelas que posso fazer para me perdoar, uma maneira muito visual e prática para empreender as ações que favorecerão o processo de perdão.

7. Meditar

Meditar ou nos visualizar pedindo perdão à pessoa ferida nos ajudará a sentir a dor que causamos e aliviará a culpa. Aqui você pode ver outros os tipos de meditação e seus benefícios.

8. Visualizar

Meditar ou visualizar a descarga da culpa prejudicial, que faz nos sentirmos mal, e nos impede de agir para compensar o erro. Isto nos permitirá assumir responsabilidade pelo que aconteceu e ter a força necessária para corrigir o dano causado.

9. Pedir perdão

Como último passo, será necessário pedir perdão pelo erro cometido, nos perdoar por isso e remediar o erro de maneira respeitosa e consciente na direção que escolhemos seguir.

No exemplo da infidelidade, no caso de decidirmos começar uma nova relação com a outra pessoa, o assunto deve ser exposto de maneira cordial e afetiva. Se seguimos amando esta pessoa, é necessário agir para restabelecer o equilíbrio e bem-estar na relação. Se esta alternativa não existir, deve-se colocar um fim a esta situação, aceitando a dor que vem junto com ela, mas seguindo adiante com a própria vida.

10. Compensar

Dirigir nossas ações para remediar nossa conduta errônea, o que facilitará nos perdoarmos a nós mesmos, devido a nossa boa vontade em tentar mudar.

11. Ho'oponopono

Uma filosofia de origem polinésia que tem por objetivo resolver conflitos e sanar espiritualmente através do perdão e do amor. O perdão é conquistado mediante a confissão, a compensação, o arrependimento e a compreensão sincera.

12. Terapia do perdão

A terapia do perdão se constitui de uma disciplina psicológica mediante a qual se realiza um trabalho com as pessoas afetadas, para podemos perdoar a pessoa que nos feriu ou para pedir perdão e nos liberar da culpa pelo erro cometido. Os passos dados neste segundo caso são:

  • Reconhecer o dano que causamos com nossas ações
  • Sentir a dor que provocamos com isso
  • Analisar nosso comportamento e o que nos levou a isso
  • Procurar alternativas de resposta para que isso não volte a acontecer
  • Pedir perdão para a(s) pessoa(s) feridas
  • Restituir o dano causado com nossa mudança de comportamento

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Genkai. (2017). El perdón, algo muy necesario para nuestro desarrollo personal.
  • Muñoz Silva, E. (20017). La importancia de perdonarse a uno mismo.
  • No dejar de leer. Perdonarse a uno mismo... Louise Hall.
  • Prieto-Ursúa, M. y Echegoyen I. (2015). ¿Perdón a uno mismo, autoaceptación, o restauración intrapersonal?. Cuestiones abiertas en Psicología del Perdón. Papeles del Psicólogo, Vol.36 (3), pp. 230-237.

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