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Diferença entre delírio e alucinação

 
Por Gianluca Francia, Psicólogo. 23 fevereiro 2021
Diferença entre delírio e alucinação

Delírios e alucinações são os sintomas mais característicos das psicoses e, particularmente constituem as manifestações desse afastamento da realidade que foi reconhecido como um dos traços característicos dos transtornos mentais mais graves. São dois fenômenos intimamente entrelaçados, mas frequentemente podemos nos confundir sobre a correta atribuição dos mesmos nos diversos transtornos mentais. Neste artigo de Psicologia-Online, explicamos a diferença entre delírio e alucinação.

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O que é um delírio?

Um delírio é uma ideia ou um conjunto de ideias que não são reais, mas são percebidos como se fossem. Mesmo não tendo correspondência nenhuma com os fatos da realidade, não cedem aos argumentos do diálogo nem às revelações da experiência. Tais ideias de importância central na visão de mundo do delirante tornam-se inacessíveis às pessoas que pertencem a seu mesmo âmbito cultural. Geralmente se diferencia um delírio lúcido, no qual o sujeito está tranquilo e presente na realidade em que vive, de um delírio confuso, que surge e acompanha uma alteração do estado de consciência.

Karl Jaspers distingue entre ideias deliroides e verdadeiras ideias delirantes:

  • As primeiras estão na base dos delírios chamados compreensíveis, porque podem ser rastreados até conteúdos psíquicos que de algum modo as justificam, como um delírio de ruína em uma fase depressiva ou em uma situação especial, como o aprisionamento ou o isolamento social.
  • As segundas se encontram na base dos delírios incompreensíveis, que são para Jaspers os típicos da esquizofrenia e da paranoia.

E. Kretschmer também fala de condição deliroide sobre os delírios paranoicos que não evoluem para esquizofrenia, mas que se "entrincheiram" na personalidade do indivíduo sem complicações posteriores, ou que desaparecem por completo.

As numerosas formas de delírio podem se classificar através de diferentes pontos de vista, por exemplo, em função da causa fisiológica desencadeante, da duração ou da sintomatologia; entre as diversas especificações do termo delírio, pode-se citar as seguintes:

  • Delírio de colapso;
  • Delírio de influência ou delírio de referência;
  • Delírio tocante;
  • Delírio niilista;
  • Delírio onírico;
  • Delírio profissional ou de ocupação;
  • Delírio residual;
  • Delírio interpretativo;
  • Delírio de perseguição
  • Delírio estranho;
  • Delírio de controle;
  • Delírio de inserção;
  • Delírio erotomaníaco ou erotomania;
  • Delírio de ciúmes;
  • Delírio de grandeza ou megalomania;
  • Delírio somático;
  • Delírio religioso;
  • Delírio de identidade.

O que é uma alucinação?

Uma alucinação é uma percepção de alguma coisa que não existe e que, mesmo assim, é considerada real. Tal percepção, que é involuntária e acrítica, tem as características da sensorialidade e da projeção. As alucinações mais frequentes são as dos órgãos dos sentidos e, em particular, a visão e a audição. A estas se agregam as alucinações menos frequentes e mais específicas em sua configuração.

As alucinações também podem ser experimentadas por pessoas normais, como quando se tem a sensação de ouvir o som de um timbre ou de sentir cheiro de queimado (chamadas pseudoalucinações), e são frequentes na hora de acordar (alucinações hipnopômpicas) ou de dormir (alucinações hipnagógicas).

De acordo com os órgãos dos sentidos interessados, as alucinações podem se subdividir em:

  • Alucinações acústicas;
  • Alucinações visuais;
  • Alucinações olfativas e gustativas;
  • Alucinações táteis;
  • Alucinações cinestésicas ou de esquema;
  • Alucinações sexuais;
  • Alucinações motrizes;
  • Alucinações reflexas;
  • Alucinações extra-campinas;
  • Alucinações negativas;
  • Alucinações cinésicas;
  • Imagens eidéticas.

Diferenças entre delírios e alucinações

Alucinação, delírio, ilusão, fabulação, paranoia..., é tudo a mesma coisa? Qual é a diferença entre delírio e alucinação? Vejamos as diferenças e semelhanças entre delírios e alucinações:

A alucinação é uma percepção e o delírio é uma crença. Ambos podem fazer parte de diferentes quadros clínicos, assim como aparecer por diferentes motivos, mas a principal diferença dos delírios com as alucinações, é que estas últimas implicam em uma percepção real de uma estímulo inexistente, isto é, um ato perceptivo é produzido e não é uma crença ou interpretação de algo. Tal estímulo pode ser visual, auditivo, olfativo, ou até mesmo gustativo ou tátil, e sua percepção é real por parte do paciente, mesmo que não exista, mas nunca poderá ser considerada alucinação a interpretação errônea de um estímulo que existe.

No delírio, se interpreta de forma errada um estímulo que realmente existe, enquanto que nas alucinações se percebe um estímulo inexistente. O delirante, convencido de estar sendo seguido por homens malvados, não vê estes homens, até mesmo quando existem, mas sim os reconhecem em desconhecidos que estão passando ou chega até a afirmar que eles podem ficar invisíveis.

É possível ser consciente de que uma alucinação não é real, mas não se pode ver um delírio como um pensamento errôneo. Além disso, mesmo que nem sempre seja assim, a pessoa que sofre alucinações pode chegar a se convencer de forma relativamente simples de que o que vê não é real, mesmo que continue vendo (isto pode inclusive acarretar em dificuldades adicionais), enquanto que um delirante nunca chegará a crer que suas convicções são delirantes ou falsas enquanto se manter no delírio, mesmo essas sendo absurdas. O delirante que não crê que suas crenças sejam certas, está claramente em remissão.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Cardella, V. (2012). Deliri e allucinazioni: due patologie della credenza?. Reti, saperi, linguaggi, 4:1.
  • Galimberti, U. (1992). Dizionario di psicologia. Turín: Unione tipografico-editrice torinese.
  • Martínez Pieédrola, R. M., Miangolarra Page, J. C. (2006). El cuidador y la enfermedad de Alzheimer. Formación y asistencia. Madrid: Editorial Centro de Estudios Ramón Areces.
  • Petrini, P., Renzi, A., Casadei, A., Mandese, A. (2013). Dizionario di psicoanalisi. Con elementi di psichiatria psicodinamica e psicologia dinamica. Milán: Franco Angeli.

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