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Mecanismos de defesa para Anna Freud: tipos e exemplos

 
Por Claudia Pradas Gallardo. 13 março 2019
Mecanismos de defesa para Anna Freud: tipos e exemplos

Anna Freud foi uma psicóloga e estudiosa muito importante em meados do século XX. Sua teoria sobre a mente e a psicanálise recebeu uma grande influência de seu pai, o famoso Sigmund Freud. No entanto, alguns dos conceitos pensados e cunhados exclusivamente por Anna Freud redefiniram o modo como a psicanálise da época era vista. E uma de suas concepções mais famosas é a dos mecanismos de defesa do ego.

Conhecidos como "as barreiras para enfrentar a realidade", os mecanismos de defesa são estratégias que são colocadas em ação pelo nosso subconsciente para evitar os conflitos da nossa vida diária e fugir do esforço que um enfrentamento destes necessitaria.

Você quer saber mais sobre a teoria dos mecanismos de defesa de Anna Freud, qual a função e como operam os mecanismos de defesa do ego, além de exemplos dos principais tipos? Então continue lendo esse artigo de Psicologia-Online.

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O que são mecanismos de defesa

Antes de nos aventurarmos pelos tipos de mecanismos de defesa é importante contextualizar, em primeiro lugar, as teorias que estavam no auge na época: os princípios da psicanálise. Não é em vão lembrar nesse caso que o pai da estudiosa, Sigmund Freud, também é o pai da escola psicanalítica.

Essa corrente psicológica é famosa por definir conceitos da mente consciente e inconsciente. Segundo a teoria do iceberg de Freud, a mente consciente contém todos os nosso pensamentos e percepções lúcidas, enquanto a inconsciente, é a parte submersa de nossa mente, ou seja, onde se encontram os pensamentos reprimidos e os impulsos menos racionais.

Outra teoria conhecida de Freud é a do id, o ego e o superego, na qual ele define três camadas do indivíduo.

  • O que é id? O ID se define como a expressão de nossos impulsos e desejos mas íntimos.
  • O que é ego? O EGO é o mediador, ele tenta desfrutar e satisfazer as necessidades do id, mas sem infringir as regras do superego.
  • O que é superego? O SUPEREGO é um conjunto de valores morais e crenças com as quais projetamos a melhor versão de nós mesmos.

Anna Freud se baseou nas teorias psicanalíticas de seu pai para formular seus próprios princípios e conceitos na psicologia. De acordo com sua teoria, Anna Freud afirma que o ego se define como um espaço no qual observamos tudo o que acontece no id e no superego.

Mecanismos de defesa do ego: definição

Agora que você já sabe como funciona a teoria da psicanálise, é hora de definir o que são mecanismos de defesa e quais são os principais tipos de mecanismos definidos por Anna Freud no livro O Ego e os Mecanismos de Defesa.

Como já falamos anteriormente, esses mecanismos são um conjunto de reações inconscientes que nos protegem dos conflitos entre o id e o superego. Eles fazem parte das chamadas técnicas de ajuste básico, que buscam o equilíbrio psicológico e fazem a mediação entre o nosso entorno e nossos processos mentais.

Um mecanismo de defesa pode ser a negação e um exemplo disso pode ser:

  • Um alcoólatra que nega seu vício e diz que beber álcool não tem um impacto negativo na sua saúde. O id sente uma forte necessidade de beber álcool e, para não enfrentar o superego, nega o impacto negativo de seu vício.

Mecanismos de defesa: tipos e exemplos

A seguir, confira 10 dos tipos principais de mecanismos de defesa para Anna Freud e exemplos deles na nossa vida do dia-dia.

1. Repressão

A repressão é o processo pelo qual um impulso ou ideia inaceitável vai para o inconsciente. O indivíduo nega essas ideias, pensamentos e memórias para mantê-los apenas no seu inconsciente.

  • Exemplo: uma criança vive sofre um ato traumático na infância e o reprime de uma maneira na qual, com o passar dos anos, chega a esquecê-lo e assim não precisa mais enfrentá-lo.

2. Regressão

Um retorno a formas anteriores do funcionamento psíquico, a regressão pode ser compreendida dentro do marco de uma psicologia evolutiva com um passo atrás ao desenvolvimento.

  • Exemplo: uma pessoa adulta que não quer enfrentar um divórcio e começa a se comportar como um adolescente, indo para festas e baladas que não costumava a ir, tomando álcool em excesso e tendo uma conduta sexual imatura.

3. Formação reativa

A formação reativa se define como o processo pelo qual um impulso ou desejo inaceitável é controlado por uma exageração de tendência oposta.

  • Exemplo: uma pessoa ao invés de contar ao seu parceiro que fez alguma coisa ruim para a relação, decide encher o outro de surpresas e presentes para não enfrentar a realidade e dizer a verdade.

4. Anulação

A anulação é um mecanismo de defesa que se compreende como o processo pelo qual a pessoa se comporta como se uma ideia ou ação anterior considerada errada não existiu ou pode ser anulada instantaneamente.

  • Exemplo: uma pessoa que acredita que as desculpas que pediu a outra depois de ter cometido um ato destrutivo deveriam anular imediatamente o que foi feito.

5. Introjeção

A introjeção é o processo no qual a pessoa coloca dentro de si traços, características ou sentimentos que são atribuídos a outro. Nesse mecanismo de defesa, as ameaças do exterior são internalizadas com o objetivo de tentar controlar seu efeito na nossa estabilidade mental.

  • Exemplo: quando próximo de alguém importante, o indivíduo projeta as características que a fazem importante em si mesmo para tentar ter controle sobre seus atos e reduzir assim a ansiedade que tem na presença da outra.

6. Projeção

Nesse mecanismo de defesa, características, sentimentos e traços físicos e da personalidade considerados ruins ou insatisfatórios por nós mesmos são projetados em outros. Com isso, o problema que acreditamos ter são transferidos para outras pessoa fazendo com que não precisemos mudá-lo nós mesmos.

  • Exemplo: uma pessoa se sente insegura sobre seu corpo e projeta essa insegurança em outra. "Você é muito inseguro!" - quando na realidade a pessoa que é insegura é ela mesma.

7. Sublimação

A sublimação é o processo pelo qual um instinto, de composição sexual ou agressiva, é derivado a um fim diferente. Quando um indivíduo sublima um instinto, substitui sua motivação e a dirige a uma atividade mais aceita socialmente.

  • Exemplo: uma pessoa que substitui uma pulsão sexual por alguma atividade cultural ou intelectual relacionada ao desejo, mas não considerada pervertida pela sociedade.

8. Isolamento

O isolamento é o processo no qual a pessoa isola um pensamento ou sentimento de um evento, rompendo assim suas conexões com o resto das suas vivências e evitando, por tanto, que o ato faça parte da sua experiência significativa.

  • Exemplo: quando uma pessoa tem uma experiência traumática, mas depois, quando vai contá-la, não tem nenhuma emoção aparente.

9. Deslocamento

O deslocamento é o mecanismo de defesa do ego pelo qual a mente inconsciente dirige as emoções que foram produzidas devido a uma certa circunstância a uma outra situação, pessoa ou objeto.

  • Exemplo: quando uma criança é agredida no colégio e desloca sua raiva em agressões a outros.

10. Racionalização

A racionalização é o processo pelo qual uma pessoa tende a justificar ou racionalizar uma situação de maneira que seja vista como aceitável de um ponto de vista moral.

  • Exemplo: uma pessoa adulta que tenta justificar e explicar com argumentos lógicos porque traiu seu parceiro.
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Mecanismos de defesa: como trabalhá-los

Após mostrar os principais tipos de mecanismos de defesa, é necessário deixar claro que eles não são técnicas psicológicas adaptativas para a nossa saúde mental, já que não solucionam o problema, somente separam, dificultam ou bloqueiam a maneira com a qual um conflito deve ser resolvido.

Para poder resolver um conflito e reduzir as consequências psicológicas de um acontecimento estressante ou negativo, podemos trabalhar os seguintes aspectos:

  • Desenvolver as habilidades sociais;
  • Fomentar a comunicação assertiva;
  • Fazer terapia para enfrentar melhor os problemas;
  • Melhorar as estratégias de enfrentamento.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Freud, A., & Carcamo, C. E. (1961). El yo y los mecanismos de defensa (Vol. 3). Barcelona: Paidós.

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