Psicologia clínica

O que é ARFID (transtorno alimentar seletivo): causas, sintomas e tratamento

 
Alejandro Garcia Mingrone
Por Alejandro Garcia Mingrone. 27 março 2025
O que é ARFID (transtorno alimentar seletivo): causas, sintomas e tratamento

O ARFID é um transtorno alimentar caracterizado por uma alimentação extremamente seletiva ou restritiva, que pode causar deficiências nutricionais e problemas de saúde. O ARFID é um problema de saúde mental que afeta milhões de crianças no mundo. No entanto, os adultos não estão isentos desse diagnóstico.

Diferentemente de outros transtornos, como anorexia ou bulimia, o ARFID não está relacionado com preocupações sobre peso ou imagem corporal, mas sim com uma alimentação extremamente seletiva ou uma aversão persistente a certos alimentos. Isso produz uma série de consequências no funcionamento do organismo. Por isso, neste artigo do Psicologia-Online, vamos trazer informações sobre o que é o ARFID (transtorno alimentar seletivo): causas, sintomas e tratamento.

Índice
  1. O que é o ARFID (transtorno alimentar seletivo)
  2. Causas do transtorno alimentar seletivo
  3. Sintomas do ARFID
  4. Tratamento do transtorno alimentar seletivo

O que é o ARFID (transtorno alimentar seletivo)

O ARFID (transtorno alimentar seletivo) é um transtorno alimentar caracterizado por uma ingestão extremamente seletiva de alimentos, sem que haja preocupação com o peso corporal ou a aparência física. Pessoas com ARFID tendem a evitar certos alimentos devido a características sensoriais (como textura, sabor ou odor) ou por experiências negativas anteriores relacionadas à comida, o que pode levar a deficiências nutricionais e problemas médicos.

Diferentemente de outros transtornos alimentares, o ARFID não está vinculado a preocupação com a imagem corporal, mas sim a uma limitação na variedade alimentar.

Causas do transtorno alimentar seletivo

As causas do ARFID são multifatoriais, e identificá-las ajuda a determinar a gravidade do transtorno e a encontrar a melhor forma de tratá-lo. A seguir, apresentamos as causas mais comuns:

  • Fatores sensoriais: pessoas com ARFID são extremamente sensíveis a texturas, sabores, odores ou temperaturas dos alimentos, o que gera rejeição a certos tipos de comida;
  • Experiências traumáticas: um evento negativo relacionado à comida, como engasgos, vômitos ou infecções alimentares, pode desencadear uma associação de medo ou aversão à ingestão de alimentos;
  • Transtornos do neurodesenvolvimento: condições como o autismo ou o transtorno obsessivo-compulsivo podem contribuir para padrões alimentares restritivos ou dificuldade em aceitar novos alimentos;
  • Fatores psicológicos: o medo de sensações físicas desconfortáveis ao comer, como dor abdominal ou sensação de saciedade, pode levar à evitação de certos alimentos. Além disso, altos níveis de ansiedade ou fobias também influenciam a rejeição alimentar;
  • Fatores biológicos: o ARFID pode estar associado a históricos familiares de transtornos alimentares ou de ansiedade, indicando uma predisposição genética ou familiar;
  • Falta de exposição a uma variedade de alimentos: em alguns casos, a ausência de uma variedade adequada de alimentos na infância contribui para o desenvolvimento de um padrão alimentar muito restritivo;
  • Fatores sociais: ideais de beleza, saúde, estética, alimentação saudável e sucesso também podem estar na raiz do transtorno alimentar seletivo.

Cada caso de ARFID é único, e as causas podem variar consideravelmente entre os indivíduos, o que exige uma avaliação e tratamento personalizados.

O que é ARFID (transtorno alimentar seletivo): causas, sintomas e tratamento - Causas do transtorno alimentar seletivo

Sintomas do ARFID

Aqui está uma lista explicada dos sintomas do transtorno alimentar seletivo:

  • Desinteresse por alimentos: pessoas com ARFID geralmente não têm interesse em comida. Frequentemente, não sentem fome ou demonstram pouco interesse em comer, o que pode levar a uma ingestão alimentar insuficiente;
  • Rejeição a certos alimentos: sensibilidade extrema à textura, sabor, cheiro, temperatura ou aparência dos alimentos. Por exemplo, podem rejeitar alimentos por serem "muito macios", "muito crocantes" ou por terem um cheiro que consideram desagradável;
  • Medo das consequências negativas de comer: podem evitar comer por medo de engasgar, vomitar ou sofrer uma reação alérgica, mesmo que não tenham histórico médico que justifique essas preocupações;
  • Restrição na variedade de alimentos consumidos: a dieta costuma ser limitada a poucos alimentos, o que gera dificuldades para lidar com situações sociais, como comer fora de casa ou em reuniões familiares;
  • Perda de peso significativa (em casos graves): em pessoas com ARFID, a ingestão insuficiente de alimentos pode resultar em perda de peso acentuada ou na incapacidade de manter um peso adequado para sua idade e altura;
  • Deficiências nutricionais: a restrição alimentar causa carências importantes de vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais, impactando negativamente a saúde física e o desenvolvimento;
  • Dependência de suplementos nutricionais ou alimentação assistida: em casos graves, algumas pessoas precisam de suplementos nutricionais ou alimentação por sonda para atender às necessidades energéticas e nutricionais;
  • Impacto na vida diária: o transtorno interfere significativamente no cotidiano, como dificuldade em participar de atividades sociais envolvendo comida, recusa em comparecer a refeições em grupo ou problemas para comer no trabalho, ou na escola.

A presença isolada de algum desses sintomas não garante o diagnóstico de ARFID. É essencial consultar um especialista no assunto para realizar uma avaliação abrangente da pessoa.

Tratamento do transtorno alimentar seletivo

O tratamento do ARFID envolve uma abordagem multidisciplinar, combinando a atuação de profissionais da saúde mental, nutricionistas, médicos e, em alguns casos, terapeutas ocupacionais. A seguir, detalhamos os enfoques mais comuns para melhorar a qualidade de vida:

Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC)

A assistência de um profissional de saúde mental é fundamental no tratamento desse transtorno. O objetivo dessa abordagem de psicoterapia é modificar comportamentos problemáticos relacionados à comida. O acompanhamento permite avaliar a gravidade do problema conforme as características do paciente. Saiba mais em nosso artigo sobre "Terapia cognitiva comportamental: o que é e que técnicas usa".

Terapia de exposição sensorial

Ajuda pessoas com hipersensibilidade sensorial a se habituarem às texturas, cheiros, sabores e temperaturas de diferentes alimentos. Consiste em introduzir gradualmente novos alimentos por meio de jogos, exploração tátil, olfativa e visual, antes de tentar consumi-los.

Educação nutricional e suporte dietético

O objetivo é garantir a ingestão adequada de nutrientes essenciais. São elaborados planos alimentares personalizados, respeitando as preferências e limitações da pessoa, enquanto se trabalha na superação de déficits nutricionais. Além disso, é feita a introdução gradual de novos alimentos com o apoio de um nutricionista.

Consulta clínica


É importante procurar um médico para avaliar o organismo e tratar as consequências físicas do ARFID. Isso permite identificar outros problemas que possam estar associados aos sintomas do transtorno alimentar seletivo. O enfoque médico pode incluir:

  • Monitoramento do peso, crescimento e estado nutricional;
  • Prescrição de suplementos vitamínicos ou nutricionais para corrigir deficiências;
  • Em casos graves, alimentação por sonda ou suplementos líquidos sob supervisão médica.
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Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • De Todo, V., Aedo, K., Urrejola, P. (2021). Trastorno de Evitación y Restricción de la Ingesta de Alimentos (ARFID): Lo que el pediatra debe saber. Revista Andes Pediátrica, 92 (2), 298-307.
  • Suspes Cruz, Y., Orejarena Serrano, S. (2020). Trastorno de evitación y restricción de la ingestión de alimentos en pediatría: un diagnóstico novedoso para una entidad frecuente en la práctica clínica. Revista de Pediatría Integral, 24 (4), 1-7.
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