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O que é o estruturalismo na psicologia: características, história e autores

 
Por Gemma Adsuara Arrufat. Atualizado: 16 outubro 2020
O que é o estruturalismo na psicologia: características, história e autores

A psicologia, apesar de ser uma ciência nova, passou por uma grande quantidade de mudanças e modificações. Buscando explicá-la, existiram e coexistiram uma grande variedade de escolas e correntes. Algumas delas foram apoiadas por milhares de psicólogos, no entanto, outras não tiveram tanto impacto na sociedade, mas mesmo assim, todas e cada uma contribuíram com novos conceitos e descobertas.

No presente artigo apresentamos uma escola que não teve muito sucesso em seu período, porém, neste artigo de Psicologia-Online, não podemos omitir que o estruturalismo deu espaço a novos métodos experimentais e impulsionou, para seu azar, o desenvolvimento de correntes que o desbancariam. Descubra o que é o estruturalismo na psicologia, suas características, história e autores.

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O que é estruturalismo na psicologia

Esta corrente psicológica nascida no princípio do século XX tem como objetivo principal descrever a estrutura da mente. Por isso, se propôs a buscar uma tabela de elementos que formam a mente, assim como os químicos fizeram com os elementos periódicos. Com esta tabela, se pretendia determinar as leis que explicariam que, mediante a combinação dos elementos mentais, convergiriam em experiências mais complexas.

Esta corrente da psicologia propõe a compreensão dos processos mentais a partir da definição e posterior categorização daqueles elementos que formam a psique das pessoas. Isto é, os autores desta corrente, consideravam que toda experiência consciente podia ser dividida em elementos básicos conscientes.

Características do estruturalismo na psicologia

Titchener considerava que toda a experiência era imediata, ou seja, a experiência por si só. Por isso, indicava que a psicologia tinha que estudar esta experiência imediata em si mesma.

Na raiz desta afirmação, o estruturalismo tem como intenção principal determinar três pontos específicos da vida mental:

  • O que: catalogar os elementos mentais considerados necessários para qualquer experiência consciente. Para tal, empregaram o método da introspecção, processo onde o sujeito analisa tudo aquilo que passa por sua mente (observação de si mesmo, de sua consciência e de seus sentimentos), sem que haja interferência de qualquer estímulo.
  • O como: responder à pergunta de como os elementos mentais se combinam.
  • O porquê: realizar uma busca das correlações neurológicas dos eventos mentais.

Através da introspecção, o estruturalismo conclui que os processos elementais da consciência são compostos por sensações, imagens e afinidades. A partir disto, se determinou que era possível conhecer um elemento apenas listando seus atributos. Estes atributos eram:

  • Para as imagens: qualidade, intensidade, duração, claridade e extensão.
  • Para as sensações: qualidade, intensidade, duração, claridade e extensão. Estes, por sua vez, variam dentro da dimensão de agradável-desagradável.
  • Para as afinidades: qualidade, intensidade e duração.

Foi possível identificar a existência de umas 4.000 sensações, a maioria relacionada com o sentido da visão, seguida pela audição e por último o restante dos sentidos.

Exemplo da teoria do estruturalismo

A seguir, um exemplo baseado na teoria do estruturalismo é apresentado:

Há um sujeito ao qual uma flor é mostrada de forma visual. Este objeto, em seu conjunto, forma uma série de qualidades sensoriais, já que está composta por uma cor, uma forma, um tamanho, uma textura, um odor, etc. O sujeito não podia falar a palavra flor, já que ao fazê-lo, estava se abstraindo de sua própria experiência ao observar o conceito. O que tinha de dizer ao observar o objeto eram as sensações que este criava nele e, desta maneira, ver como este sujeito tomava consciência do objeto que era apresentado.

Princípios do estruturalismo

O estruturalismo apresenta uma série de postulados básicos:

  • As sensações são processos mentais elementais.
  • Há dois fatores determinantes em todo elemento físico, a qualidade e a intensidade.
  • O conhecimento sempre é empírico.
  • A mente e a consciência são o campo de estudo da psicologia.
  • A introspecção é um método válido.
  • A mente e o corpo são sistemas paralelos.

História do estruturalismo na psicologia

O estruturalismo nasce com Titchener e sua ideia de que a psicologia era fundamentalmente experimental, portanto, todos aqueles conceitos não baseados na experimentação não poderiam ser considerados psicologia.

Nesta escola, se buscava apenas a descrição da experiência mental. E, por sua vez, qualquer tipo de especulação a respeito de eventos não observáveis era negada, pois para eles a psicologia era uma ciência, e toda ciência procura o conhecimento mais puro.

É preciso ter em mente que, mesmo que as teorias de Wundt e as de Titchener se assemelhem, o primeiro não considerava a introspecção como um método válido. No entanto, Titchener aproveitou o fato de que na América do Norte ainda não se diferenciava a consciência e o inconsciente, para alegar que Wundt também era um estruturalista.

Com o passar dos anos, o estruturalismo mudou o objeto de suas análises introspectivas, dos elementos propriamente ditos para seus atributos, já que como falamos anteriormente, eles observavam que só se podia conhecer um elemento através de seus atributos.

O estruturalismo se viu confrontado contra o funcionalismo de William James, o qual fez com que esta corrente fosse afastada da psicologia. Atualmente não encontramos evidências das ideias de Titchener na psicologia, embora o método introspectivo continue a ser utilizado. Considera-se que esta corrente "morreu" com o falecimento de Titchener.

Autores do estruturalismo na psicologia

Os autores mais relevantes desta corrente são:

  • ​Wilhelm Wundt: foi quem iniciou esta corrente por sua vontade de desenvolver a psicologia experimental, além de ser o criador do primeiro laboratório de psicologia experimental.
  • Edward Titchener: é considerado o fundador autêntico desta escola. Foi aluno de Wundt e até mesmo chegou a ser membro da APA.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Arroyo, J. L. P., & Ypiens, J. L. M. (2002). Fundamentos de psicología. Editorial Universitaria Ramón Areces.
  • Ilizaliturri, J. (2012). Capítulo 4. Estructuralismo.
  • Sos, R. (2015). Historia de la psicología. Universidad Jaume I.
  • Rico Ortega, A. (1996). El estructuralismo.

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