Personalidade

Fases do desenvolvimento psicossexual - Teoria de Freud

 
Equipe editorial
Por Equipe editorial. Atualizado: 20 junho 2026
Fases do desenvolvimento psicossexual - Teoria de Freud
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Como qualquer teoria proposta, é importante que utilizemos nosso pensamento crítico. Isso significa nos questionarmos a partir de diferentes perspectivas o que nos propõem, como, por exemplo, perguntando-nos de onde vem a teoria psicossexual, quem a fundou, por que o fez e em que ponto a desenvolveu.

Neste artigo de Psicologia-Online, explicaremos as fases do desenvolvimento psicossexual de acordo com a teoria de Freud, ampliando o contexto histórico e as circunstâncias da época para poder outorgar uma visão mais ampla das questões que fizeram surgir essa teoria.

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Índice
  1. Contexto da Teoria de Freud
  2. Fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud
  3. Etapa oral (0 - 15 meses)
  4. Etapa anal (15 meses - 3 anos)
  5. Etapa fálica (3 - 6)
  6. Etapa de latência (6 anos - puberdade)
  7. Etapa genital (puberdade - idade adulta)

Contexto da Teoria de Freud

Sigmund Freud era austríaco de origem judia, neurologista, pertencente a uma sociedade burguesa. Em 1885, Freud mudou-se para Paris para estudar com o reconhecido neurologista Jean-Martin Charcot, criador das teorias sobre a histeria que posteriormente Freud utilizou como suas, após pedir permissão para traduzi-las para o alemão. Após esse estudo e reapropriação sobre a histeria, Sigmund Freud se interessou pela evocação dos traumas primários, concentrando-se na origem do transtorno, que ele chamou de psicanálise.

Inicialmente, Freud realizou uma tese sobre a sexualidade infantil, tema muito controverso no campo social em que se encontrava. Ainda hoje é um assunto desafiador de se discutir, uma vez que a sexualidade continua sendo em parte um tabu, especialmente quando se trata da sexualidade infantil, referindo-se ao desenvolvimento desde a infância.

Freud era muito consciente que a controvérsia era uma grande ferramenta para se conhecer e explorou ao máximo para criar uma posição de reconhecimento em sua época. Embora seja verdade que hoje é um dos membros mais conhecidos da psicologia, Freud não era tão bem visto pela sociedade burguesa à qual pertencia. Na verdade, o reconhecimento social lhe chegou pouco antes de morrer e foi graças ao seu sobrinho Edward Bernays.

Bernays, que residia nos Estados Unidos, foi o precursor das Relações Públicas e um grande publicitário. Para fundamentar suas teorias sobre publicidade e manipulação de massa, utilizou as teorias psicanalíticas de Freud sobre o inconsciente e os impulsos primários. Graças à difusão dessa teoria para sustentar suas teorias publicitárias, Freud alcançou o renome que sempre desejou, tornando-se o "pai da psicanálise".

Compreendendo o contexto e entendendo que a psicanálise se baseia na hipótese de que o desenvolvimento das pessoas se baseia na sexualidade, é lógico que sua teoria remonta às etapas iniciais do indivíduo.

Por outro lado, é interessante compreender a visão que Freud tinha sobre a infância. Considerava que a criança tinha a consciência da perversão, ou seja, qualquer ato realizado pela criança era de forma consciente e com intuito de conseguir algo. Isso se reflete em um fragmento de sua obra "Três ensaios sobre a teoria da sexualidade":

É instrutivo que sob a influência da sedução, a criança possa se tornar um perverso polimorfo, sendo induzida a praticar todas as transgressões possíveis. Isso demonstra que, em sua disposição, traz consigo a aptidão para isso; tais transgressões tropeçam com poucas resistências porque, dependendo da idade da criança, não foi construído ainda ou estão em formação as represas anímicas contra os excessos sexuais: a vergonha, nojo e a moral. (...) é possível não reconhecer algo comum a todos os seres humanos, algo que tem suas origens na disposição uniforme de todas as perversões.

A ideia da criança como perversa mostra uma rigidez de pensamento que causou muitos danos à psicologia, criando culpa e papéis confusos, tanto nas crianças como nos adultos. Se, inconscientemente, acredita-se que a criança está "buscando" uma sexualidade como a entendemos na idade adulta, o adulto automaticamente culpa a criança de atitudes sexuais "inapropriadas" ou mesmo por possíveis casos de abuso, uma vez que se baseia na crença da intenção da criança. E é justamente esse o pensamento que a psicanálise transmitiu sobre a sexualidade.

Os estudos demonstram que o pensamento crítico se desenvolve por volta dos 10 anos de idade, começando o desenvolvimento cognitivo de uma forma objetiva e analítica do mundo que nos rodeia. Isso não significa que, aos 10 anos, sejamos capazes de compreender psicologicamente as atitudes, comportamentos, valores, crenças, papéis, etc., mas que nessa idade, mais ou menos, é quando começamos a nos desenvolver cognitivamente e poder interagir com o ambiente de uma maneira mais consciente.

Cabe destacar que a teoria de Freud, apesar de receber críticas, abriu caminho para uma série de discussões e estudos psicológicos que influenciaram significativamente o campo da psicologia moderna. Embora algumas de suas ideias sejam vistas como ultrapassadas ou controversas, não se pode negar o impacto que tiveram na forma como entendemos o desenvolvimento humano e os mecanismos subjacentes às nossas ações e comportamentos.

Além disso, a psicanálise freudiana incentivou o desenvolvimento de outras abordagens terapêuticas, como a psicoterapia analítica e a psicologia analítica de Carl Jung, que expandiram ainda mais nossa compreensão dos processos mentais inconscientes.

Fases do desenvolvimento psicossexual segundo Freud

As etapas de Freud do desenvolvimento psicossexual que definem a personalidade adulta são as seguintes:

  1. Etapa oral
  2. Etapa anal
  3. Etapa fálica
  4. Etapa de latência
  5. Etapa genital

A seguir, você encontrará uma explicação detalhada de cada uma das fases do desenvolvimento psicossexual segundo a teoria de Freud. É importante lembrar que, para Freud, a maneira como cada uma dessas fases é vivenciada pode deixar marcas profundas na personalidade adulta, influenciando comportamentos, preferências e até mesmo a saúde mental.

Etapa oral (0 - 15 meses)

Segundo Freud, essa etapa está localizada nos primeiros 15 meses de vida. Nela, Freud relacionava a satisfação da libido diretamente com a boca. Nessa fase, o bebê se relaciona com o ambiente através da boca, obtendo assim o prazer. As atividades mais comuns incluem a sucção e a mordida, que são fontes de prazer e conforto para o bebê.

Um dos momentos-chave nessa etapa que poderia provocar um transtorno ao atingir a idade adulta era o momento em que o bebê foi desmamado, provocando a sensação de perda e abandono. Se essa transição fosse realizada bruscamente, poderia afetar a construção da personalidade. Do mesmo modo, o impedimento da exploração através da boca do bebê poderia provocar um transtorno relacionado com a dependência passiva ou problemas de inveja e personalidades manipuladoras que se desenvolvem na idade adulta.

Além disso, Freud acreditava que uma fixação nessa fase poderia resultar em comportamentos orais na vida adulta, como fumar, roer unhas ou comer compulsivamente. Essas manifestações são vistas como tentativas de obter o prazer oral que não foi plenamente satisfeito na infância.

Etapa anal (15 meses - 3 anos)

Freud sustentava que o fim de uma etapa dava lugar a outra imediatamente. Portanto, a etapa anal começava nos 15 meses até os 3 anos. Nessa fase, o bebê começa a aprender o controle dos esfíncteres, e conforme as teorias de Freud, dependendo da forma como essa aprendizagem é conduzida pelos adultos, pode haver impactos significativos no desenvolvimento da personalidade.

Nesse aprendizado, eram vistas como forças comprometidas, por um lado, a satisfação do impulso primário de defecar, contra as exigências dos adultos que impediam que esse ato ocorresse de forma natural. Se a aprendizagem fosse feita de uma forma gradual e compreensiva, de acordo com a teoria, não deveria haver nenhum problema no desenvolvimento do Eu. Pelo contrário, se a educação fosse muito exigente ou permissiva, poderia levar a uma personalidade muito disciplinar e rígida ou, pelo contrário, muito desorganizada e passiva.

Freud também postulou que as experiências durante a fase anal poderiam influenciar características como a obsessão pela limpeza ou desorganização, e até mesmo a relação com a autoridade e a autodisciplina.

Etapa fálica (3 - 6)

A terceira etapa de Freud está compreendida entre os 3 e 6 anos de idade. Nesse período, a criança começa a descobrir seu próprio corpo e, com isso, seus órgãos genitais correspondentes. Essa curiosidade individual está entrelaçada com a curiosidade em outros corpos, como o da mãe ou do pai, nas diferenças e nas semelhanças.

Essa etapa é a mais conhecida, pois pode ser derivada do complexo de Édipo, relacionado com os homens, e à atitude feminina de Electra, para as mulheres. Esse complexo é baseado na tomada de consciência de si mesmo e na necessidade de posse do outro. Freud diferenciava:

  • No caso do menino, a atitude psicológica era possuir a mãe, para que o pai se tornasse um rival.
  • Enquanto que no caso das meninas, o desejo de posse era o pai, tornando a mãe o inimigo.

Esse desejo de posse da mãe e rivalidade com o pai (embora Freud se referisse às meninas pontualmente e a possibilidade de experimentar esse complexo, não considerava a sexualidade feminina como tal, portanto, não achava necessário falar dela, por isso, suas teorias estão focadas nos homens) fazia com que, se a separação que sentia com a mãe fosse muito forte, a personalidade seria construída sobre um bloqueio emocional, tornando o adulto introvertido, retraído, tímido ou, como Freud qualificava, com complexo de castração. Por outro lado, se a criança tentasse superar a rivalidade paterna e adquirisse traços de personalidade do pai, poderia superar esse complexo de castração e obter a aprovação paternal.

Freud acreditava que a resolução bem-sucedida do complexo de Édipo era crucial para o desenvolvimento de uma identidade sexual saudável e para a formação de um superego forte, que é a parte da psique responsável pelos padrões morais e pela consciência.

Etapa de latência (6 anos - puberdade)

Na quarta etapa de Freud, desenvolve-se entre os 6 anos e a puberdade. Esse período está relacionado com a consolidação do que foi adquirido nas etapas anteriores e na integração na construção do Eu. Esse processo acontece no inconsciente, pois os impulsos nas três primeiras etapas ficam bloqueados. Freud relacionava as neuroses ocasionadas nessa etapa por más resoluções das etapas anteriores. Nesse período, o indivíduo busca o prazer de uma forma social, com a maior integração possível nas relações sociais ou na aquisição de conhecimento.

Durante a fase de latência, Freud acreditava que a energia sexual ou libido é sublimada em atividades socialmente aceitáveis, como esportes, estudos e brincadeiras. As crianças desenvolvem habilidades sociais e intelectuais, e formam amizades que são importantes para o seu desenvolvimento emocional e social.

Etapa genital (puberdade - idade adulta)

A última etapa de Freud é a genital, que começa na puberdade até a idade adulta, abrangendo o desenvolvimento sexual de forma plena e adulta. É nessa etapa que o adulto pode criar uma independência psicossexual, independente de seus pais e deixando os desejos de satisfação infantil. Nesse período começa a construção abstrata dos relacionamentos com os outros, considerando as uniões a nível cognitivo e simbólico.

Freud entendia que na fase genital o foco do prazer retorna aos genitais, mas agora de forma madura e voltada para a reprodução e relacionamentos sexuais adultos. A capacidade de desenvolver relacionamentos íntimos e duradouros, bem como a capacidade de amar e trabalhar, são vistas como sinais de que essa fase foi bem-sucedida.

Além disso, a fase genital é fundamental para a formação de uma identidade adulta saudável. As experiências e aprendizados das fases anteriores influenciam a forma como os indivíduos se relacionam com os outros e com o mundo ao seu redor, destacando a importância do equilíbrio emocional e da autocompreensão nesta fase da vida.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Charcot, J. (2003) Histeria. Jaén: Ediciones del Lunar
  • Freud, S. (2012) Tres ensayos sobre teoría sexual y otros escritos. Madrid: Alianza.
  • Fromm, E. (2004) El miedo a la libertad. Buenos Aires: Paidós.
  • Jung, C. (2000) Freud y el psicoanálisis. Madrid: Editorial Trotta.
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