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Não aguento mais cuidar da minha mãe, o que fazer?

 
Por Sonia Silgado, Psicóloga. 29 dezembro 2020
Não aguento mais cuidar da minha mãe, o que fazer?

É comum que filhos e filhas de seus pais e mães quando envelhecem. Além disso, o papel de cuidador raramente é discutido e é a ideia de que pessoas mais velhas vivam em residências geriatricas pode ser recebida de maneira negativa por algumas esferas da sociedade. Há uma crença constante sobre ter que cuidar de nossos pais, já que eles cuidaram de nós quando éramos mais jovens.

Deve-se levar em conta que, em muitas ocasiões, esta crença é levada ao extremo, produzindo no cuidador problemas de saúde física e mental, devido ao esgotamento que o cuidado de uma pessoa dependente sem qualquer tipo de descanso implica.

'Não aguento mais cuidar da minha mãe, o que fazer?' Neste artigo de Psicologia-Online, veremos o que você pode fazer se estiver cansado de cuidar de sua mãe, falaremos sobre a síndrome do cuidador, os conflitos que podem surgir entre irmãos devido a esta situação e as possíveis consequências que deixa na família.

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Síndrome do cuidador ou cuidadora

A síndrome do cuidador é definida por um sentimento de sobrecarga, exaustão, estresse, uma sensação de isolamento de outras pessoas, já que a vida do cuidador se limita a atender às necessidades da pessoa doente.

Quais são as consequências da síndrome do cuidador ou cuidadora? Este estado leva à negligência da unidade familiar, falta de liberdade, privação e sacrifícios pessoais, conflitos entre membros da família devido à diferença de tempo dedicado ao paciente, sentimentos negativos em relação ao parente a ser atendido, entre muitos outros. O alto nível de fadiga e estresse também tem efeitos a longo prazo, tais como problemas cardíacos, ansiedade e depressão. Portanto, é normal estar cansado ou cansado se você estiver cuidando de uma pessoa doente ou dependente.

O que se vê são pessoas que decidem cuidar de um/a parente na totalidade do tempo devido à obrigação moral que se sente.

Problemas familiares

É bastante comum que o cuidador ou cuidadora principal seja um deles. A sobrecarga causa conflitos entre os filhos e filhas da pessoa doente já que, por um lado, o/a principal cuidador/a se queixa de ser o principal responsável pela situação e, por outro lado, a família frequentemente age como uma fonte de críticas e não de apoio. Em outras palavras, eles censuram o principal cuidador por não fazer as coisas de maneira diferente, por exemplo. Portanto, os conflitos entre irmãos para cuidar de sua mãe ou de seu pai são comuns.

Com o tempo, esta situação abre uma lacuna no afeto entre os membros da família, e em muitas ocasiões, quando o pai ou a mãe morre, há inúmeros conflitos em relação à herança, uma vez que o principal cuidador é considerado como tendo um direito maior sobre a herança do que os outros irmãos.

Portanto, é da maior importância que a responsabilidade recaia de forma equitativa sobre os vários membros da família e que também tenham apoio externo formal.

Cuidar de quem cuida

Cuidar de um dependente na família deixa sequelas. Como mencionado, é comum que haja uma falsa crença de que se deve cuidar dos doentes vinte e quatro horas por dia. Isto coloca um grande fardo sobre uma única pessoa e causa os efeitos acima mencionados sobre a saúde. Estes efeitos à saúde significam que a pessoa acaba desenvolvendo sentimentos negativos em relação à pessoa doente, levando a cuidados cada vez piores ou, no pior dos casos, a maus tratos, pois é culpada pelos problemas que surgiram por ser um cuidador ou cuidadora.

Algumas diretrizes que devem ser seguidas para aliviar a sobrecarga de quem cuida são:

  • Pedir ajuda: antes de tudo, você deve entender que é necessário estar física e mentalmente bem para cuidar, para que você não se sinta culpado por pedir ajuda a outros parentes ou registrar a pessoa doente em um centro de cuidados temporários por um dia, por exemplo, para que você possa ter algumas horas para si mesma e possa descansar.
  • Manter os hábitos de vida saudáveis: é fundamental manter hábitos de vida saudáveis em relação à alimentação, ao sono, ao esporte... e também em relação à saúde mental, ou seja, ter atividades de lazer consigo mesmo, também atividades com outras pessoas, a fim de manter a vida social.
  • Não sobre-proteger: é importante que você também permita que seu familiar faça todas as atividades de que é capaz, não apenas para promover sua autonomia, mas também para torná-lo menos dependente dos outros e não ter que dedicar tanta atenção a eles.
  • Aceite que você é humano/a: se a qualquer momento aparecerem sentimentos e pensamentos negativos que não são socialmente aceitos (como estar cansado de cuidar de sua mãe ou pai), é lógico, normal e em parte devido à sobrecarga. Não se sinta culpado, aceite que você terá dias ruins e peça a seus familiares que o ajudem nesses dias para que você possa descansar.
  • Evite situações de estresse e conflito: já que você já vive em uma situação estressante.
  • Arranje tempo para suas necessidades: é muito importante encontrar um equilíbrio no qual o cuidador tenha tempo para o autocuidado e também seja cuidado por outros.
  • Informe-se sobre a doença: pode ser bastante útil entender bem a doença de seu familiar para que você saiba como ajudar da melhor maneira possível e saiba quais sintomas são comuns.
  • Conheça-se e cuide-se: acima de tudo, compreenda-se, cuide de si mesmo. Quando seus pais cuidavam de você, eles também tinham apoio, de seus próprios pais, de creches, de outros parentes... Você não deve estar só nesta situação, porque, mais uma vez, para cuidar dos outros você deve primeiro cuidar de si mesmo.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Flores, E., Rivas, E., & Seguel, F. (2012). Nivel de sobrecarga en el desempeño del rol del cuidador familiar de adulto mayor con dependencia severa. Ciencia y enfermería, 18(1), 29-41.
  • Garro-Gil, N. (2011). Análisis del" Síndrome del Cuidador" en los casos de enfermedad de Alzheimer y otras demencias desde un enfoque ético-antropológico.

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