Emoções

Como curar feridas emocionais do passado

 
Sara Sanchis
Por Sara Sanchis, Psicóloga especializada em Crescimento Pessoal. Atualizado: 25 agosto 2026
Como curar feridas emocionais do passado
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Curar feridas emocionais do passado não é uma tarefa fácil, pois envolve revisitar experiências dolorosas. No entanto, mesmo que não seja encorajador reviver essas emoções negativas, é um passo crucial se desejamos resolver essas feridas de maneira definitiva.

Na verdade, é uma decisão corajosa que permite, àqueles que optam por enfrentá-la, apagar lamentos do passado que, como fantasmas, continuavam a influenciar suas vidas presentes. Assim, as pessoas que se dispõem a esse processo se libertam desse peso, recuperando sua verdadeira força para viver de forma mais feliz, calma e agradável.

Neste artigo de Psicologia-Online, vamos explicar o que são feridas emocionais e como elas se formam. Discutiremos como reconhecer feridas emocionais da infância e como curar feridas emocionais do passado por meio de técnicas psicológicas e exercícios.

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Índice
  1. O que são as feridas emocionais
  2. Quando são criadas as feridas da alma
  3. Como surgem as feridas emocionais
  4. Como saber se tenho feridas emocionais da infância
  5. Como curar feridas emocionais

O que são as feridas emocionais

As feridas emocionais são feridas da alma resultantes de situações pessoais que nos causaram grande desconforto, angústia ou tristeza. Um dos fatores que promovem essas feridas é a ineficácia no enfrentamento da situação, seja individualmente ou com ajuda de terceiros, de maneira positiva e construtiva. Assim, não é tanto a experiência traumática em si, mas como a pessoa lida com ela, dependendo dos recursos pessoais e do apoio social disponível no momento e nos anos seguintes. Conforme a situação e sua interpretação, a ferida pode ser de rejeição, abandono, humilhação, traição ou injustiça.

Essas feridas emocionais geram uma dor intensa e frequentemente levam a pessoa a fechar-se emocionalmente, limitando sua abertura para o mundo. Inconscientemente, ela se vê tomada pelos medos vividos, resultando na supressão de seu verdadeiro potencial. Esse mecanismo, que parece proteger de situações perigosas, na verdade priva a pessoa de sua alegria e energia vital, levando-a a viver em modo "defesa-fuga-ataque". Em resumo, as cinco feridas da alma impedem que sejamos nós mesmos.

Quando são criadas as feridas da alma

A maioria das feridas emocionais se forma durante a infância, um período de grande vulnerabilidade, pois as crianças estão em completa abertura ao mundo, sem defesas ou escudos. Quando vivenciam situações negativas (rejeições, abandonos, maus-tratos, violência, etc.) sem orientação prévia ou apoio adequado, essas experiências ficam registradas permanentemente em suas almas, gerando uma dor intensa que resulta na ferida emocional.

Como surgem as feridas emocionais

Não é necessário que rejeições, abandonos, maus-tratos ou violências sejam extremamente intensos para causar essas feridas. Infelizmente, a origem das feridas emocionais está presente no dia a dia, visto que as crianças, em seu estado de confiança e abertura total, muitas vezes não recebem o atendimento necessário. Isso resulta em contínuas rejeições e abandonos, bem como maus-tratos e violências, onde frustrações adultas são injustamente descarregadas sobre elas.

As situações que causam essas feridas emocionais são criadas por pessoas que interagem com as crianças (pais, família, educadores e outras crianças). Por outro lado, os responsáveis por fornecer ferramentas de proteção e defesa são principalmente os pais, a família, amigos e a escola, formando uma rede de apoio social. Outros fatores que influenciam a criação e a intensidade da ferida emocional incluem:

  • A idade da criança: quanto menor a criança, mais grave é a ferida emocional, pois sua vivência é sensitiva e a incapacidade de racionalizar o ocorrido faz com que o desconforto fique registrado a nível inconsciente, tornando-se menos acessível à consciência.
  • A gravidade do acontecimento: quanto mais grave, maior a intensidade da ferida.
  • A duração do evento: quanto mais prolongado, mais profunda será a ferida.
  • A vivência pós-trauma: dependendo de como essa fase é enfrentada (se o ocorrido foi comunicado, se houve apoio externo, se a injustiça foi plenamente conscientizada, etc.), a ferida pode permanecer por mais ou menos tempo, e suas consequências na vida da pessoa serão maiores ou menores.

Independentemente desses fatores, todas as feridas emocionais deixam um rastro de dor significativa na alma humana. Portanto, é essencial identificar as feridas existentes e conhecer as técnicas para saná-las.

Como curar feridas emocionais do passado - Como surgem as feridas emocionais

Como saber se tenho feridas emocionais da infância

Para identificar feridas emocionais da infância, é importante observar os seguintes aspectos:

  • Se reagimos com medo, fuga, negação ou agressividade de maneira repetida em certas situações. Se sim, essa reação provavelmente é uma resposta defensiva do nosso inconsciente a uma ferida emocional interna, tentando evitar reviver o ocorrido.
  • Outro indício é quando esses mecanismos nos impedem de agir de maneira alegre, leve e espontânea, como faríamos sem medo ou necessidade de defesa.
  • Os sintomas físicos que nosso corpo manifesta em tais situações, como angústia, contração corporal, sudorese, tremores, paralisia, ou engasgamento, também são sinais evidentes de feridas emocionais.
  • Finalmente, a obsessão mental negativa que se ativa nessas situações, gerando sintomas físicos e psicológicos ao reviver crenças irracionais internalizadas, que reproduzem os medos da situação original.

Como curar feridas emocionais

Dada a influência negativa das cinco feridas da alma, é fundamental aprender a realizar a cura emocional. A seguir, apresentamos exercícios e técnicas para curar a alma. O processo de cura envolve várias fases que começam em momentos diferentes, mas que inevitavelmente ocorrem simultaneamente ao longo do processo:

Realizar exercícios de autoconhecimento

Praticar técnicas de respiração, relaxamento e meditação ajuda a conectar-se com a verdadeira voz interior. Nestes artigos, discutimos a introspecção.

Tomar consciência da vivência que criou a ferida

Para curar as feridas emocionais, é essencial relembrar o momento em que essas feridas foram criadas. Embora simples à primeira vista, essa liberação interna provoca a soltura de medos e crenças falsas associadas, enfrentando grandes resistências internas.

Compreender os comportamentos devido à ferida

É importante ganhar consciência das duas partes existentes dentro de nós: nossa essência e o personagem ou ego. A parte ferida acredita tão fielmente na história vivida que não consegue enxergar outra forma de vida fora de seu esconderijo, que, apesar de causar desconforto, parece a melhor defesa contra a revivência da situação dolorosa original. No processo de cura, é crucial ajudar a perceber que o perigo externo já não existe, e que o verdadeiro inimigo está dentro, reproduzindo falsidades e mecanismos de defesa desnecessários.

Rejeitar essas condutas defensivas

É necessário mostrar à pessoa que dentro dela habitam duas partes: sua essência e autenticidade, com grande potencial a oferecer ao mundo, reprimido pelo medo, e a parte formada pela dor vivida, que inibe a expressão espontânea, censurando-a com crenças falsas interiorizadas na raiz do trauma original.

A rejeição do personagem criado é crucial, pois não pertence à essência verdadeira e apenas serve como defesa criada pelo medo, que até agora só causa prejuízo. O arrependimento pela dor gerada por manter esse mecanismo ativo é um passo importante.

Implementar condutas alternativas

Agir de maneira oposta ao que a voz do ego sugere, reduzindo assim sua influência.

Praticar a autoaceitação

A abertura do coração real e sincera permitirá confiar no mundo e expressar todo o belo potencial interior.

Praticar o autocuidado

Investigar interesses e motivações pessoais, estabelecendo um plano de ação para desenvolver projetos relacionados. Isso fortalece virtudes e recompensa a alma.

Adotar uma alimentação equilibrada e a prática regular de exercícios moderados.

Perdoar e pedir perdão

Praticar o perdão sincero em relação às pessoas que causaram as feridas e, mais importante, arrepender-se e pedir perdão por qualquer dor provocada pelo rancor. O perdão sincero, mesmo sem interação direta, tem um poder curativo significativo.

Neste artigo, explicamos como perdoar a si mesmo.

Pedir ajuda e ajudar

Buscar auxílio e, simultaneamente, oferecer ajuda a quem precisa. Isso revela a beleza interna de todas as pessoas, fortalecendo a confiança necessária para relacionar-se amigavelmente e abandonar o medo e o julgamento.

A prática dessas técnicas e exercícios deve ser integrada naturalmente ao modo de vida para, além de curar a ferida emocional, fortalecer o espírito e evitar que novas situações desagradáveis causem feridas e arrependimentos.

Para seguir corretamente os passos da cura emocional e alcançar a cura da alma, é essencial contar com a orientação e acompanhamento de um profissional especializado.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Bourbeau, L. (2011). Las cinco heridas que impiden ser uno mismo. OB STARE.
  • Bourbeau, L. (2017). La sanación de las 5 heridas. SIRIO.
  • Gutman, L. (2008). Crianza, violencias invisibles y adicciones. Editorial Integral.
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