Psicologia clínica

Fonofobia: como superar a fobia de barulho

 
Andrea Fernández García
Por Andrea Fernández García. 10 março 2022
Fonofobia: como superar a fobia de barulho

As pessoas altamente sensíveis ou pessoas PAS, têm uma alta sensibilidade a estímulos externos, entre os quais se encontra os sons estridentes e fortes que aparecem de formas inesperadas, causando mal-estar e fazendo com que prefiram estar em lugares sem este tipo de sons, em que haja mais tranquilidade.

Isto não significa que apresentem medo irracional de sons altos e repentinos, e é o que os diferencia, entre outras características, das pessoas que sofrem de fonofobia. Por isso, se você quer conhecer mais sobre a fonofobia: o que é a fobia de barulho, quais são seus sintomas, causas e tratamento, continue lendo! Neste artigo de Psicologia-Online te explicamos com detalhes tudo o que poderia te interessar saber sobre a fonofobia.

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Índice
  1. O que é fonofobia
  2. Sintomas da fonofobia
  3. Causas da fonofobia
  4. Tratamento da fonofobia

O que é fonofobia

O termo fonofobia é procedente do grego fonos (som) e phobos (medo). E mesmo que muitos logo relacionam o termo com a audição, a fonofobia se trata de um transtorno de ansiedade, especificamente de uma determinada fobia, tal como classifica o DSM-5 (manual diagnóstico e estatístico dos transtornos mentais, 5ª edição) e é definida como o medo irracional aos sons fortes e repentinos.

Fonofobia: como superar a fobia de barulho - O que é fonofobia

Sintomas da fonofobia

Se você gostaria de saber mais sobre os sintomas da fonofobia ou a intolerância ao ruído, a seguir, te mostramos os principais:

  • Referências negativas aos sons fortes e repentinos.
  • Evitação excessiva e fuga de tais estímulos.
  • Hiperventilação e palpitações.
  • Ansiedade intensa diante de estimativas erradas de ameaça, isto é, dos significados atribuídos e da resposta gerada pelo medo.
  • Aparição de outros transtornos derivados desta fobia.

Causas da fonofobia

A causa não é unicamente um estressor ou uma experiência, ou predisposição biológica do indivíduo, mas sempre teremos presente a interação entre genética e ambiente. Então, o que causa fonofobia? A seguir te revelamos as principais razões pelas quais surge a fonofobia ou fobia de barulho:

  • O sujeito que sofre de fonofobia certamente tem uma vulnerabilidade biológica generalizada que, junto com o nível de estresse que vivencie, criará uma sensação de alarme falso, que terminará se convertendo em um alarme aprendido, gerando uma vulnerabilidade psicológica.
  • Esta vulnerabilidade é influenciada pelas aprendizagens, sejam de forma direta ou indireta de outros alarmes reais. Este ciclo dá lugar à aparição de transtornos de ansiedade e fobias.
Fonofobia: como superar a fobia de barulho - Causas da fonofobia

Tratamento da fonofobia

As fobias se tratam com a exposição repetida ao estímulo fóbico, neste caso, o medo irracional aos sons fortes e repentinos. Desta forma, se gera um novo aprendizado onde esses sons se tornam inofensivos para a pessoa que sofre da fobia. A seguir te explicamos as características deste tipo de tratamento para a fonofobia:

  • Processo terapêutico. Este é um processo que pode chegar a ser traumático para o paciente, que se enfrenta porque não tem as ferramentas necessárias para fazer frente à situação no momento em que aparece a ansiedade, e começa a aumentar a resposta fisiológica.
  • Relação terapêutica. É importante que o terapeuta/psicólogo, dedique as primeiras sessões para gerar uma boa aliança terapêutica (criar um bom vínculo) de forma que o paciente possa se sentir seguro, que está em um entorno que proporciona calma e tranquilidade em que pode se enfrentar situações complicadas como seria a exposição a sons fortes e repentinos.
  • Trabalho terapêutico. Além disso, estas primeiras sessões também deverão proporcionar ao paciente as ferramentas necessárias para diminuir a sintomatologia ansiosa associada, portanto serão ensinadas técnicas de controle da ansiedade e de relaxamento que possa utilizar enquanto trabalham a exposição ao estímulo. Uma vez que as técnicas tenham sido adquiridas, começa a se trabalhar na terapia de exposição ou dessensibilização sistemática.

A dessensibilização sistemática introduzida por Wolpe, é eficaz por seu contracondicionamento, isto é, através desta terapia se pretende criar uma nova associação que gera uma resposta oposta (como a relação) à que apresentava inicialmente (resposta fisiológica, comportamental e cognitiva da ansiedade) diante dos sons fortes e repentinos.

No entanto, a terapia de exposição é a mais utilizada e que mostrou maior eficácia para este tipo de transtornos. Esta se fundamenta na teoria bifatorial de Maurer e os modelos de habituação e extinção das teorias de aprendizagem. Assim como a dessensibilização sistemática é eficaz por gerar um contracondicionamento, a terapia de exposição é porque impede que a evitação se converte em um sinal de segurança.

Outros tratamentos para a fobia de barulho

Estas são as terapias clássicas e que mostraram maior eficácia, mas também encontramos outras terapias dentro da corrente cognitivo-comportamental que podem ser complementares às anteriores ou agir bem por elas mesmas, como:

  • A terapia narrativa.
  • A terapia baseada no processamento e dessensibilização por movimentos (EMDR).

Se você pensa que pode sofrer de fonofobia e percebe que isto está interferindo em seu dia a dia e te gera mal-estar, é importante que você procure um/a psicólogo/a que possa te fazer os testes adequados e realizar o tratamento que melhor se ajuste a seu caso.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • American psychiatric association, (2014). Manual diagnóstico y estadístico de los trastornos mentales DSM – 5. Madrid, España. Editorial medica panamericana.
  • Belloch, A., Sandín, B., Ramos, F., (2009). Manual de psicopatología, volumen II. Madrid. McGraw Hill / Interamericana de España, S.A.U.
  • Labrador, F. J., (coord.) (2008). Técnicas de modificación de conducta. Madrid. Pirámide
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