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Nictofilia: significado, causas, sintomas e tratamento

 
Por Iván Piquero, Psicólogo. 5 agosto 2021
Nictofilia: significado, causas, sintomas e tratamento

Nosso estilo de vida é perfeitamente adaptado à vida diurna. Os comércios, os bancos e as consultas médicas funcionam durante o dia. Até mesmo as atividades que continuam a funcionar durante a noite, apresentam redução em seu volume de trabalho e/ou serviço. Este fato faz com que as pessoas que trabalham durante a noite possam ter algumas atividades limitadas, acarretando consequências mais ou menos incômodas para sua vida diária.

No entanto há pessoas que, livremente, escolhem uma vida noturna. Tratam-se de pessoas que sentem uma grande preferência pelo mundo noturno e pela escuridão. Neste artigo de Psicologia-Online, exporemos esta tendência denominada nictofilia e explicaremos seu significado, causas, sintomas e tratamento.

Significado de nictofilia

O dicionário de psicologia da Associação Americana de Psiquiatria[1] define o significado de nictofilia como uma forte atração pela escuridão ou pela noite. Mas esta atração é patológica? O certo é que a nictofilia não constitui um transtorno psicológico, nem está incluso nas classificações diagnósticas DSM-5 da Associação Americana de Psiquiatria[2] ou CIE-11 da Organização Mundial da Saúde[3].

Da mesma forma que não encontramos referência sobre a nictofilia nas classificações diagnósticas, tampouco encontramos literatura científica que possa nos orientar sobre o termo.

Nictofilia é um problema psicológico?

Por tudo isso, pode ser interessante nos perguntar, em primeiro lugar, se a nictofilia constitui um problema psicológico. A respeito, a definição que o dicionário da Associação Americana de Psiquiatria nos dá não inclui conotações patológicas. Este fato, junto à falta de literatura científica relacionada, nos leva a pensar que não se trata de um problema psicológico.

Caso a preferência pela noite e pela escuridão seja um problema, deverá se investigar a quantas pessoas afeta, isto é, sua prevalência, quais causas existem por trás do desenvolvimento deste suposto problema, sua etimologia, como o problema evolui ou se desenvolve e prognóstico, quais sintomas o definem, como afeta a vida dos possíveis pacientes e que intervenções devemos utilizar para tratar.

Causas da nictofilia

Dada a falta de estudos e pesquisas relacionadas à nictofilia, não podemos estabelecer, com um nível adequado de evidência, quais causas estão por trás desta preferência pela escuridão e/ou pela noite.

Portanto, deveremos estabelecer hipóteses que deverão ser comprovadas com o caso concreto. Entre tais hipóteses sobre as causas da nictofilia, destacamos:

  • Preferência pessoais: as diferenças entre o dia e a noite podem fazer com que algumas pessoas prefiram levar uma vida mais noturna. Por exemplo, durante a noite há menos barulho, menos pessoas pelas ruas, menos luz, etc. O bem-estar que a pessoa pode encontrar na noite poderia reforçar a preferência noturna.
  • Estímulos e/ou situações aversivas: a pessoa está tratando de evitar contextos ou estímulos que ocorrem durante o dia.

Sintomas da nictofilia

Mesmo que já tenhamos apontado que não é claro se constitui um problema psicológico, neste tópico vamos considerar os possíveis sintomas da nictofilia como características que podem aparecer relacionadas com tal termo.

Alteração dos ritmos circadianos

O corpo humano segue alguns ritmos biológicos de forma sincronizada: temperatura, sono, etc. Quando um destes ritmos se altera, influi nos outros. Estes ritmos ajudam também o corpo a manter uma homeostase, isto é, um equilíbrio.

Os ritmos biológicos são muito influenciados pela ação da luz, tanto que um dos sintomas da nictofilia é que a ausência de luz pode provocar uma alteração em nossos ritmos biológicos. Mais especificamente, a luz influi muito nos ciclos de vigília e sono.

Se uma pessoa tem uma grande preferência pela escuridão e pela noite, não seria estranho que seus ritmos circadianos, tendo em conta o exposto anteriormente, ficam alterados.

Possíveis problemas relacionados com as atividades da vida diária

A vida foi planejada para ser vivida durante as horas de luz solar. Muita gente começa a trabalhar quando raia o sol e muitas outras param de trabalhar quando este se põe. As lojas, os bancos ou as consultas médicas possuem um horário que inclui as horas de luz e exclui as horas noturnas.

Como dizíamos no tópico anterior, se uma pessoa tem preferência pela noite e dedica grande parte do dia a dormir, um dos sintomas de nictofilia é que altera aspectos de sua vida cotidiana, tais como problemas profissionais ou interferência na vida social.

Tratamento da nictofilia

Se a nictofilia não é um problema psicológico não seria necessária a intervenção por parte de profissionais da saúde. No entanto, se considerarmos que a pessoa experimenta grande mal-estar porque sua preferência pela escuridão e pela noite afeta sua vida cotidiana e/ou seus ritmos biológicos, devemos planejar uma intervenção derivada de uma avaliação exaustiva do caso.

Em tal avaliação, comprovaremos quais são as causas que mantêm a preferência pela noite, por exemplo, se há algum tipo de reforço positivo, se há algum tipo de estímulo aversivo associado ao dia que está sendo evitado, etc. Em função disso, o profissional planejaria a intervenção correspondente para instaurar um estilo de vida mais adaptado à vida diurna.

Para conseguir isso, é possível estabelecer rotinas e horários e a realização de um planejamento adequado.

Se ao contrário você conhece alguém que não se adapta às noites, veja também os nossos artigos sobre ansiedade noturna e nictofobia.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Nictofilia: significado, causas, sintomas e tratamento, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.

Referências
  1. ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA (2020). APA Dictionary of Psychology. Recuperado de https://dictionary.apa.org
  2. ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PSIQUIATRIA (2014). DSM-5. Guía de consulta de los criterios diagnósticos del DSM-5-Breviario. Madrid: Editorial Médica Panamericana.
  3. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS) (2018) Clasificación Internacional de Enfermedades, 11.a revisión. Recuperado de https://icd.who.int/es

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