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Alexitimia: significado, sintomas e tratamento

 
Por Pol Clapers Guardi, Psicólogo. Atualizado: 17 outubro 2019
Alexitimia: significado, sintomas e tratamento

Algumas pessoas não são capazes de saber o que é alegria e tristeza, além de não conhecerem o amor. Parecem frias e distantes, o mundo passa na frente dos seus olhos e elas nem pestanejam. No seu interior, se agitam sensações desconhecidas e indecifráveis que não podem ser expressadas. Contudo, será que essas pessoas não sentem nada? A incapacidade de sentir amor é real? Essa é a pergunta que muita gente faz ao observar este tipo de pessoas - pessoas que sofrem de alexitimia. Nesse artigo de Psicologia-Online - Alexitimia: significado, sintomas e tratamento - te explicamos o que acontece no interior de quem sofre desse problema.

O que é alexitimia

A alexitimia afeta, aproximadamente, 10% da população segundo a Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN), afetando mais homens do que mulheres. Portanto, tem um peso importante na sociedade. No entanto, o que é alexitimia, exatamente?

Alexitimia: etimologia

O termo "alexitimia" deriva do prefixo grego "a-"(sem) e das palavras "lexis" (palavra) e "thimos" (emoção, paixão).

Alexitimia: significado

Para os psicólogos, a alexitimia é uma desordem neurológica que faz com que detectar e reconhecer as próprias emoções seja impossível e, por isso, a pessoa afetada seja incapaz de expressar emoções, o que faz com que pareça uma pessoa sem emoções.

O que é alexitimia na psicologia

  • Problemas interpessoais. Uma pessoa com alexitimia tem dificuldades nas suas relações interpessoais, já que não pode dar feedback emocional às pessoas do seu círculo social. Por exemplo, uma pessoa com alexitimia não poderia mostrar condolências ou tristeza pela perda de uma pessoa próxima de um amigo ou familiar, ou seria incapaz de mostrar alegria pela promoção de um colega de trabalho. Da perspetiva dos demais, um alexitímico parece uma pessoa com falta de sentimentos, emocionalmente insensível, fria, calculadora e pragmática.
  • Sofrimento emocional. Realmente são pessoas sem emoções? A alexitimia não implica uma ausência de emoções, já que um alexitímico continua preservando as mesmas. Por não poder reconhecer ou definir o rebuliço de emoções que sentem, são pessoas incapazes de regular os próprios sentimentos. Isso faz com que facilmente se sintam oprimidas por sensações que não entendem e que não podem controlar, gerando um nível alto de sofrimento emocional. Como se supõe, implica um grande desgaste da qualidade de vida de uma pessoa com alexitimia.

Quem sofre de alexitimia?

O transtorno costuma estar mais presente em pessoas que sofreram de alguma doença neurológica ou que sofrem de transtornos psicológicos como, por exemplo, depressão, ciclotimia, esquizofrenia, transtorno esquizoafetivo ou em pacientes com mal de Parkinson.

Existe uma alta incidência de casos de alexitimia em pessoas que apresentam transtornos do espectro autista, estando presente aproximadamente em 85% das vezes. Existem mais casos de alexitimia que não estão incluidos na explicação anterior, como explicaremos mais à frente no artigo.

Alexitimia: sintomas

As pessoas com alexitimia são incapazes de reconhecer e expressar as suas próprias emoções. Logo, os alexitímicos mostram certas características próprias dessas mesmas deficiências na sua forma de agir e comunicar. Quais são os sintomas de alexitimia? Em seguida indicamos uma lista de características comuns a pessoas com alexitimia:

  • Falta de empatia por não poder reconhecer emoções alheias.
  • Pobre capacidade para imaginar e fantasiar.
  • Indecisão: A falta de introspeção em relação às próprias emoções faz com que seja difícil conhecer as suas motivações.
  • Pensamento e comunicação simples e concretos: não usam referências abstratas e não são capazes de apreciar arte ou simbolismos.
  • Aparência distante e fria.
  • Escassa comunicação verbal: falam pouco.
  • Escassa comunicação não verbal. Parecem pessoas rígidas.
  • Têm dificuldade em manter relações interpessoais.
  • Ausência de desejo sexual.
  • Confundem emoções com sensações corporais que não podem localizar.

Alexitimia: causas

Por que surge a alexitimia? Qual é a causa da alexitimia? Nem todos os que sofram de alexitimia apresentam o mesmo perfil. Segundo a causa que provocou o aparecimento da alexitimia, os seus sintomas e gravidade podem variar. Podem se diferenciar dois tipos de alexitimia, dependendo da sua origem:

1. Alexitimia primária

A sua causa é biológica e é a mais grave. Nesses casos, existe um défice neurológico que pode afetar o cérebro de duas formas possíveis:

  • O défice interfere na comunicação do sistema límbico, que está implicado na gestão das emoções, e o neocórtex, implicado no raciocínio.
  • Também é possível que ocorra um défice na comunicação entre os dois hemisférios do cérebro, tornando o hemisfério esquerdo, implicado na produção da linguagem, incomunicável com o hemisfério direito, responsável por regular e catalogar as emoções.

Este tipo de alexitimia pode ter origem hereditária e se apresenta no início da infância, ou até depois de uma doença neurológica como Parkinson ou esclerose múltipla. Também ocorrem casos de alexitimia por AVC, tumor cerebral ou traumatismos.

2. Alexitimia secundária

A causa é psicológica e a sua gravidade é variável.

  • Este tipo de alexitimia pode se dever à vivência de experiências traumáticas por parte da pessoa, tanto se ocorreram na infância como na etapa adulta. Além disso, muitas dessas pessoas costumam sofrer de Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEP).
  • Pode surgir m diversos transtornos psicopatológicos como depressão, adições ou por transtornos alimentares.
  • Pode ocorrer em casos de desordens de aprendizagem emocional por culpa de uma má educação emocional.

Alexitimia: tratamento

Alexitimia tem cura?

Na maioria dos casos, não são os pacientes que dão o primeiro passo para iniciar um tratamento. A sua falta de compreensão do que está acontecendo com eles faz com que não associem os seus problemas com um transtorno psicológico. Assim, a grande parte dos casos de alexitimia que chegam a consulta se devem à insistência por parte de terceiros. Uma vez que não é voluntário, na maioria das vezes, o tratamento da alexitimia é difícil por não existir uma motivação por parte do paciente, sendo que o apoio social será vital para o sucesso da terapia.

Como tratar alexitimia?

O tratamento para alexitimia se baseia em trabalhar o desenvolvimento de capacidades e habilidades da inteligência emocional. O objetivo consiste em ajudar o paciente a reconhecer emoções, nomeá-las e logo trabalhar a autorregulação emocional.

É necessário ter em conta a origem da alexitimia, uma vez que no tratamento da alexitimia primária existe um tratamento farmacológico simultâneo. Por sua vez, o tratamento psicoterapêutico é mais eficaz em pessoas que apresentam alexitimia secundária.

Alexitimia: exemplos

Para facilitar a compreensão de o que é alexitimia, deixamos alguns exemplos para poder visualizar melhor como seria encontrar alguém que sofre do problema:

  • Uma pessoa que vê um(a) amigo(a) chorar e age como se não tivesse acontecido nada, falando de qualquer coisa.
  • Conhecer uma pessoa que não vai ao cinema ou não lê livros porque simplesmente não entende para que servem.
  • Um casal que está junto há 6 anos e um deles nunca disse à outra pessoa que gosta dela.

Alexitimia e sexualidade

Como mencionado de forma breve anteriormente, as pessoas que sofrem de alexitimia carecem de desejo sexual. Isso não quer dizer que não sentem impulsos sexuais, mas sim que não podem identificá-los como tal e, por isso, não podem vinculá-los à sexualidade.

A incapacidade de reconhecer os impulsos no seu momento faz com que, caso mantenham uma relação com alguém e essa pessoa deseje estabelecer uma relação sexual em determinado momento, possa acontecer que a pessoa afetada pela alexitimia não esteja excitada ou pareça impotente.

Essas situações podem resultar em frustração e problemas no relacionamento. Nesses casos, é importante que o casal reconheça e seja compreensivo com a afetação do alexitímico, apoiando e promovendo a participação no tratamento ou procurando alternativas para que os dois possam disfrutar da relação.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Krystal, H. (1979). Alexithymia and psychotherapy. American journal of psychotherapy, 33(1), 17-31.
  • Lane, R. D., Ahern, G. L., Schwartz, G. E., & Kaszniak, A. W. (1997). Is alexithymia the emotional equivalent of blindsight?. Biological psychiatry.
  • de la Serna, J. M. (2015). Alexitimia, un mundo sin emociones. XinXii.
  • Taylor, G. J. (2000). Recent developments in alexithymia theory and research. The Canadian Journal of Psychiatry, 45(2), 134-142.

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