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Por que tenho medo de tudo?

 
Por Marissa Glover, Psicóloga. 12 novembro 2020
Por que tenho medo de tudo?

Se há muito tempo você se pergunta “por que tenho medo de tudo” e até agora não encontrou uma resposta que te fez se sentir tranquilo e provavelmente já queriam diagnosticar você com algum outro tipo de doença com a qual você não se sente identificado, é muito provável que o que você tenha seja uma fobia que não é nada comum, mas que ainda assim existe, chamada de panofobia.

Neste artigo de Psicologia-Online, vamos responder à sua pergunta "por que tenho medo de tudo?" e analisaremos detalhadamente em que consiste a panofobia, quais são as características das pessoas que dela sofrem, quais são as causas de sua origem e qual é o tratamento para superar o medo de tudo.

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Características de uma pessoa que tem medo de tudo

Como você certamente sabe, as fobias são medos intensos que são direcionadas à certas situações, animais ou objetos. As pessoas podem ter uma fobia ou medo irracional da interação com outras pessoas, o que é chamado de fobia social, ao amor como é a filofobia, aos lugares fechados, etc.

Mas quando você sofre de panofobia, o medo irracional e intenso é de tudo e não de coisas ou situações específicas, então você pode ter medo, ao mesmo tempo, de coisas, de situações, de pessoas, de animais, etc. Diz-se que a palavra panofobia é de origem grega e pode vir do Deus Pã que, de acordo com a mitologia grega, infundia sentimentos de pânico e medo.

Características da panofobia

  • As pessoas que sofrem de panofobia ou que têm medo de tudo vivem sob um medo constante e podem até ter medo do medo.
  • É muito fácil que as pessoas com panofobia caiam no isolamento social e comecem a desenvolver outros transtornos, como depressão e ansiedade.
  • Sua autoestima tende a ser cada vez mais baixa, sentem muita tristeza, culpa e surgem regularmente sentimentos de impotência na pessoa.
  • Por outro lado, é comum terem pensamentos obsessivos e frequentes sobre o medo constante que elas têm, os quais não lhes permitem pensar com clareza e se concentrar no que estão fazendo. O desconforto que sentem às vezes pode ser tão intenso que chegam a ter medo de perder o controle ou sentem que podem enlouquecer.
  • Os sintomas físicos também aparecem na pessoa decorrente do medo intenso e irracional que ela tem. Os mais comuns são os tremores, transpiração excessiva, tonturas, dor abdominal, respiração agitada, taquicardia e vômitos.

Outra questão importante é que experimentam constantes descargas de adrenalina devido ao estado de alerta em que permanecem durante todo ou a maior parte do dia. Depois de ter experimentado as descargas, ocorrem períodos de fadiga, pois o corpo precisa se recuperar. As pessoas que sofrem esse tipo de fobia geralmente têm uma vida limitada e prejudicial.

Neste outro artigo, entendemos o que é o medo para a psicologia.

Causas do medo de tudo

É difícil conhecer quais são as causas exatas que originam da panofobia ou do medo de tudo. No entanto, algumas das principais que foram encontradas são as seguintes:

Ter desenvolvido anteriormente outras fobias

Para que este tipo de fobia tão estranha se originasse, a pessoa deve ter desenvolvido anteriormente outras fobias específicas. Por exemplo, uma pessoa pode ter começado tendo aracnofobia (medo de aranhas), filofobia (medo do amor), hematofobia (medo de sangue) e no final acabou generalizando este medo aos sintomas que experimentou ao enfrentar esse tipo de situações.

Quando o medo se torna cada vez mais generalizado, a pessoa começa a evitar e/ou fugir das situações temidas, o que faz com que o medo se torne mais crônico e, neste caso, produza uma panofobia.

Experiências traumáticas

Outras das causas da panofobia pode ser ter vivenciado experiências traumáticas durante a infância ou adolescência, portanto a pessoa experimenta um medo intenso dessa situação e vive com angústia e temor de que isso aconteça novamente ou até mesmo para alguma pessoa próxima. Essa situação também faz com que comece a evitar situações, pessoas ou lugares e que o medo aumente.

Herança genética

De acordo com algumas pesquisas, descobriu-se que os sentimentos de medo e ansiedade podem ser transmitidos através dos genes, bem como os traços de personalidade. Isso faz com que a pessoa seja mais vulnerável a desenvolver este tipo de fobia se estiver em interação constante com outros tipos de fatores, como os ambientais.

Comportamento aprendido

Quando você tem pais ou figuras de referência que demonstram um comportamento de medo diante de uma ou várias situações, objetos, pessoas, animais, etc. é mais provável desenvolver o mesmo padrão de comportamento. Isso se deve ao fato de que quando crianças o comportamento dos pais ou figuras de referência costuma ser imitado, portanto acabam adotando e passam a fazer parte do nosso repertório de comportamento.

Consequências de ter medo de tudo

É evidente que sofrer de panofobia traz consigo várias consequências para a pessoa que a sofre. Por mencionar algumas delas, destacam-se as seguintes:

  • A pessoa acaba se isolando da sociedade para não despertar seus medos.
  • É incapaz de alcançar suas metas e objetivos pessoais.
  • A pessoa sente muito desconforto o tempo todo, não só emocional, mas também físico.
  • Deixa de ter uma vida com sentido.
  • O medo de tudo impede que a pessoa seja autônoma e independente.
  • Vive com uma tensão constante que pode acabar desencadeando outro transtorno mental ou físico.
  • Em casos muito graves podem surgir delírios, pesadelos, visões, entre outros problemas de percepção.
  • A autoestima vai se deteriorando cada vez mais.
Por que tenho medo de tudo? - Consequências de ter medo de tudo

Como vencer o medo de tudo

Existem diferentes tratamentos para a panofobia. No entanto, a escolha entre um ou outro depende da situação específica da pessoa, da orientação do profissional e da gravidade dessa condição.

Terapia psicológica

Uma das terapias que tem demonstrado sua eficácia para curar este tipo de fobia é a terapia cognitivo- comportamental. Entre os principais objetivos dessa terapia para tratar a panofobia estão identificar com o paciente as crenças irracionais que o levaram a desenvolver este tipo de fobia.

Uma vez identificadas, estes tipos de crenças são analisados e, através da reestruturação cognitiva, são modificadas por outras mais racionais e adaptativas. Depois de ter modificado as crenças limitantes, aos poucos vai conseguindo que a pessoa se exponha, primeiro na imaginação e depois na vida real, às situações temidas com as quais é possível reduzir o medo intenso que mostravam mesmo controlando suas reações.

Tratamento farmacológico

Nos casos mais graves, o tratamento psicológico pode ser combinado com um tratamento farmacológico. Esse tratamento é utilizado mais do que qualquer coisa para controlar os sintomas que são altamente limitantes, no entanto, não tratam a causa principal dessa condição.

Alguns dos medicamentos que costumam ser utilizados para tratar esse tipo de transtorno são os betabloqueadores, os quais são encarregados de bloquear o fluxo de adrenalina que surge durante as situações de medo ou ansiedade. Também estão os benzodiazepínicos que funcionam como uma espécie de relaxante muscular e os antidepressivos.

Mindfulness ou meditação

Umas das técnicas cada vez mais utilizadas e que também tem dado bons resultados para o tratamento da panofobia é o mindfulness. Isso porque essa técnica nos ajuda a nos concentrar no momento presente, ou seja, no que ocorre a cada momento e a parar de julgar cada uma das experiências que vivemos.

As pessoas com panofobia tendem a julgar todas ou quase todas as coisas, situações, pessoas, animais, etc. como algo meramente negativo. Com a prática dessa técnica, elimina-se o julgamento e a interpretação de cada coisa que nos acontece, promove a aceitação do desagradável como parte da experiência de vida e se aprende a deixar ir e parar de tentar controlar cada coisa que nos acontece. Neste outro artigo, descobriremos técnicas de meditação para iniciantes.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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