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Megalofobia: o que é, causas, sintomas e tratamento

 
Por Iván Piquero, Psicólogo. Atualizado: 22 abril 2021
Megalofobia: o que é, causas, sintomas e tratamento

Alguma vez você sentiu um mal-estar intenso diante de objetos grandes? Você já evitou situações nas quais estes objetos estavam presentes? Se sua resposta é afirmativa diante de qualquer uma das perguntas, é possível que você esteja experimentando megalofobia.

As fobias específicas são transtornos de ansiedade cujo objeto fóbico (aquele que te provoca medo) é muito delimitado. Tratam-se de medos muito circunscritos a determinados estímulos como animais, objetos ou até mesmo situações.

A megalofobia não é muito comum entre a população, no entanto, é possível que em algum momento tenhamos experimentado algo parecido. Neste artigo de Psicologia-Online, te falaremos sobre o que é a megalofobia, suas causas, sintomas e tratamento.

O que é a megalofobia?

A megalofobia consiste em experimentar um medo intenso diante de objetos de grandes dimensões, por exemplo, diante de grandes edifícios como arranha-céus, grandes veículos como caminhões, grandes construções como barcos ou até mesmo diante de objetos como grandes esculturas.

Fobia de coisas grandes

O medo, como qualquer emoção, mostrou-se crucial na sobrevivência do ser humano de forma particular e de forma geral, como espécie. Em certos casos, sentimos medo diante de situações, objetos, animais, etc. que experimentamos de forma tão intensa que interferem em nossa vida cotidiana.

A megalofobia se enquadraria dentro das fobias específicas, um tipo de transtorno de ansiedade reconhecido nas principais classificações de transtornos: DSM-5 (Associação Americana de Psiquiatria) e CIE-11 (Organização Mundial da Saúde). Nelas, o objeto que provoca o medo intenso é muito delimitado.

Diagnóstico de megalofobia

O medo diante de coisas de grandes dimensões pode ser leve, isto é, pode nos gerar certo mal-estar, mas não interfere em nossa vida diária. Não evitamos situações em que tal perigo pode aparecer nem antecipamos, acompanhado de grande mal-estar, situações nas quais podemos nos deparar com grandes objetos.

Quando falaríamos de transtorno de fobia específica? Para isso, recorremos aos manuais de classificação diagnóstica DSM-5 (Associação Americana de Psiquiatria)[1]e CIE-11 (Organização Mundial da Saúde)[2], nos quais encontramos suas principais características:

  • Em primeiro lugar, logicamente os objetos de grande dimensão sempre devem provocar medo ou ansiedade intensos.
  • A exposição a objetos de grande tamanho é evitada. No caso de resistir sempre será experimentado grande mal-estar.
  • O perigo que percebemos é desproporcional à realidade.
  • O medo, ansiedade ou evasão dura ao menos seis meses se seguirmos o DSM-5 ou um longo período de tempo (vários meses) segundo a CIE-11.
  • O medo, ansiedade ou evasão interferem negativamente em nossa vida cotidiana ou provocam um mal-estar clinicamente significativo.
  • O medo de objetos grandes não é explicado melhor no contexto de outros transtornos (por exemplo, sob os efeitos de substâncias nas quais a percepção pode estar alterada).

Sintomas de megalofobia

Os sintomas que as pessoas com megalofobia apresentam, segundo Sosa, C.D. e Capafóns, J.I. (2014)[3], abarca a área fisiológica, cognitiva e motora. A seguir veremos os sintomas desta fobia classificados:

A nível fisiológico

Os sintomas fisiológicos que podem aparecer na megalofobia são:

  • Taquicardia;
  • Elevação da tensão arterial;
  • Suor;
  • Náuseas;
  • Diarreia;
  • Inibição da saliva.

A nível motor

Os sintomas comportamentais da fobia de coisas grandes são:

  • Evasão ou fuga de lugares ou situações nos quais existem grandes construções ou grandes objetos temidos.

A nível cognitivo

Os sintomas cognitivos de megalofobia são:

  • Crenças negativas em relação a sua interação com objetos de grandes dimensões e sua própria capacidade de enfrentamento.

Causas da megalofobia

Existem várias teorias de como a fobia ou medo de coisas grandes poderia se desenvolver que vamos expor a seguir.

Teorias cognitivo-comportamentais

De forma geral, estas teorias postulam que a resposta de medo se adquire por condicionamento clássico, isto é, se associa o objeto de grande tamanho com estímulos aversivos. O medo se mantém então por condicionamento operante, isto é, ao evitar a exposição a objetos grandes, diminuem nossos sintomas de ansiedade, o que reforça nosso comportamento de evasão e torna mais provável que repitamos tal comportamento no futuro.

Além disso, poderiam estar implicados pensamentos ou crenças irracionais a respeito do perigo que os objetos grandes podem causar.

O condicionamento vicário também poderia influenciar no desenvolvimento da fobia, isto é, adquirir o medo de grandes objetos observando tal medo em outras pessoas.

Teorias biológicas

As hipóteses biológicas sustentam a existência de uma predisposição evolutiva para o desenvolvimento de fobias. Lembre-se que o medo (da mesma forma que o resto das emoções) mostrou-se fundamental para o desenvolvimento evolutivo humano. Neste sentido, é possível que a pessoa possa se sentir indefesa diante de objetos de grande tamanho dos quais, diante de qualquer circunstância adversa, seria difícil para nos defender ou fugir.

Também há teorias que apontam uma predisposição genética para o desenvolvimento de fobias, como mostram estudos com famílias.

Teorias integradoras

Por último, encontramos teorias como a de Barlow (visto em Sosa, C.D. e Capafóns, J.I., 2014), que levam em conta fatores biológicos, psicológicos e sociais para explicar a origem das fobias.

Tratamento para fobia de coisas grandes

A terapia cognitivo-comportamental seria a indicada para o tratamento das fobias específicas. Dentro delas, encontramos as técnicas expostas a seguir e entre elas, destaca-se a técnica de exposição.

1. Psicoeducação

A psicoeducação é o primeiro passo para superar a megalofobia. Explicar ao paciente o que está acontecendo e porque está acontecendo pode ajudar com que sua atitude diante do tratamento seja colaborativa e aumente seu compromisso.

2. Exposição prolongada a objetos de grande tamanho

A resposta de ansiedade não se mantém durante muito tempo. Pense que seu corpo está utilizando muitos recursos para sobreviver, portanto não podemos aguentar muito tempo neste estado. Se você se expõe a objetos grandes durante um longo período, chegará um momento em que seu nível de ansiedade diminuirá.

Portanto, devemos evitar tomar ansiolíticos e fugir durante a exposição. O que nos ajudará serão técnicas de relaxamento previamente aprendidas. Você pode começar a praticar o relaxamento com a sessão guiada que encontrará ao final deste vídeo.

A exposição pode ser na imaginação ou ao vivo, até mesmo a realidade virtual foi introduzida como ferramenta para implementar a técnica (mesmo que não substitua completamente a exposição ao vivo).

3. Técnicas cognitivas

Estas técnicas podem ser utilizadas como complemento à exposição para trabalhar sobre os pensamentos e crenças irracionais que o paciente possa apresentar a respeito do perigo dos objetos de grande tamanho.

4. Farmacologia

O tratamento farmacológico para a fobia específica consiste na administração de ansiolíticos, entre os quais se encontram os benzodiazepínicos, como o diazepam, o clonazepam, o alprazolam e o bromazepam.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Megalofobia: o que é, causas, sintomas e tratamento, recomendamos que entre na nossa categoria de Psicologia clínica.

Referências
  1. Asociación Psiquiátrica Americana (2014). DSM-5. Guía de consulta de los criterios diagnósticos del DSM-5-Breviario. Madrid: Editorial Médica Panamericana.
  2. Organización Mundial de la Salud (OMS) (2018) Clasificación Internacional de Enfermedades, 11.a revisión. Recuperado de https://icd.who.int/es
  3. Sosa, C.D. y Capafóns, J.I. (2014) Fobia específica. En Caballo, V.E., Salazar, I.C. Y Carrobles, J.A. (2014) Manual de Psicopatología y Trastornos Psicológicos. Madrid. Pirámide.
Bibliografia
  • Asociación Psiquiátrica Americana (2014). DSM-5. Guía de consulta de los criterios diagnósticos del DSM-5-Breviario. Madrid: Editorial Médica Panamericana.
  • Organización Mundial de la Salud (OMS) (2018) Clasificación Internacional de Enfermedades, 11.a revisión. Recuperado de https://icd.who.int/es
  • Sosa, C.D. y Capafóns, J.I. (2014) Fobia específica. En Caballo, V.E., Salazar, I.C. Y Carrobles, J.A. (2014) Manual de Psicopatología y Trastornos Psicológicos. Madrid. Pirámide.

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