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O que são neurotransmissores: funções, tipos e relação com as emoções

 
Por Equipe editorial. Atualizado: 26 julho 2019
O que são neurotransmissores: funções, tipos e relação com as emoções

Os neurotransmissores são as substâncias químicas responsáveis pela transmissão dos sinais de um neurônio a outro através das sinapses. Definimos os neurotransmissores, muito resumidamente, como as moléculas que enviam informação química e elétrica. Os neurotransmissores determinam o comportamento humano, a percepção dos nossos sentidos e também atuam na regulação das nossas emoções.

Quer saber mais aprofundadamente o que são neurotransmissores, suas funções, tipos e relação com emoções? Então continue lendo esse artigo de Psicologia-Online.

O que são neurotransmissores

Os neurotransmissores são componentes químicos que se encontram no nosso cérebro e que são responsáveis por transmitir uma informação concreta de um neurônio para o outro. Cada neurotransmissor tem uma composição química distinta que o permite realizar uma função específica em nosso corpo.

Essas substâncias estão localizadas no interior das células neuronais até o momento em que ocorrem as sinapses. Nesse instante, elas "viajam" de um neurônio para o outro transmitindo informações determinadas.

Além dos neurônios cerebrais, os neurotransmissores também se encontram no axônio terminal de neurônios motores, onde estimulam as fibras musculares a se contraírem. Estes são produzidos em algumas glândulas como as glândulas suprarrenais e pela hipófise.

O que é sinapse

Antes de seguirmos com a relação entre neurotransmissores e emoções, é importante estabelecer o que é sinapse. Os nossos neurônios se comunicam entre eles através de ramificações, os axônios. Para realizar esse ato, os neurônios utilizam uma série de descargas elétricas e químicas que impulsionam os neurotransmissores a viajar pelo espaço sináptico até chegar até a outra célula neuronal.

Sinapse, portanto, é onde os neurônios entram em contato e onde ocorre a troca de impulsos nervosos de uma célula para a outra.

Devemos levar em consideração, também, que em nosso sistema nervoso temos bilhões de neurônios, que formam um grande tecido neuronal com o qual recebemos e transmitimos informação por todo o nosso corpo.

Agora que você já sabe o que são neurotransmissores, entenda qual é a relação que existe entre eles e as nossas emoções e quais seus principais tipos.

Tipos de neurotransmissores

Como já dissemos no início do artigo, os neurotransmissores são capazes de regular nossas emoções. A tristeza, a alegria e outros sentimentos, como o da nostalgia e o da paixão, nascem da interação entre os distintos neurotransmissores do nosso cérebro. Cada molécula é capaz de produzir ou regular uma emoção ou outra.

Os neurotransmissores relacionados com as emoções podem ser definidos como neurotransmissores excitatórios ou neurotransmissores inibitórios. Os primeiros se ligam aos receptores e fazem com que a célula transmita um sinal elétrico. Já os últimos impedem que essa transmissão continue e, assim, não permitem que a mensagem seja enviada de um neurônio a outro.

Mas então quais são os principais neurotransmissores excitatórios? E quais são os principais neurotransmissores inibitórios?

  • Principais neurotransmissores excitatórios: norepinefrina, glutamato, endorfina
  • Principais neurotransmissores inibitórios: gaba, serotonina
  • Podem ser excitatórios ou inibitórios (dependendo dos receptores presentes): acetilcolina, dopamina

O que é acetilcolina

A acetilcolina foi o primeiro neurotransmissor a ser descoberto. Foi estudada pela primeira vez em 1921 pelo biólogo alemão Otto Loewi[1], que anos depois ganhou o prêmio Nobel pelo conjunto do seu trabalho. Entre as funções da acetilcolina e algumas curiosidades sobre ela estão:

  • É responsável por grande parte da estimulação dos músculos, incluindo os do sistema gastrointestinal.
  • Também se encontra em neurônios sensoriais e no sistema nervoso autônomo e participa na programação do sono REM.
  • A toxina botulínica funciona bloqueando a acetilcolina, causando a parálise. Por esse efeito, um dos derivados da botulina, o famoso botox, é comumente usado para eliminar temporariamente as rugas e marcas de expressão.
  • Cientistas descobriram um forte vínculo entre a acetilcolina e o mal de Alzheimer: nos cérebros de pessoas com a doença, registra-se uma perda de cerca de 90% do neurotransmissor.

O que é norepinefrina

Em 1946[2], outro biólogo alemão, cujo nome era Von Euler, descobriu a norepinefrina, antigamente chamada de noradrenalina. Mas a norepinefrina, para que serve?

Esse neurotransmissor está fortemente associado com a sensação de "alerta máximo" enviada pelo nosso sistema nervoso. Ele é prevalente no sistema nervoso simpático e causa em um incremento da taxa cardíaca e da pressão sanguínea.

Nossas glândulas adrenais, ou suprarrenais, liberam a norepinefrina, junto com a sua "parente" epinefrina, que também é importante para a formação das memórias.

Além disso, o stress tende a exaurir a nossa reserva de adrenalina, enquanto que o exercício tende a aumentá-la. As anfetaminas ("speed") funcionam causando a liberação da norepinefrina.

O que é dopamina

Outro "parente" da efinefrina e norepinefrina é a dopamina. Ela é um neurotransmissor inibitório que está fortemente associada com os mecanismos de recompensa no cérebro.

Drogas como a cocaína, o ópio, a heroína e até mesmo o álcool e a nicotina do cigarro promovem a liberação da dopamina.

Além disso, na esquizofrenia também se demonstram quantidades excessivas de dopamina nos lóbulos frontais. Por isso, os remédios utilizados para diminuir os efeitos da doença têm como uma de suas funções bloquear o neurotransmissor.

Mas por outro lado, quantidades muito pequenas de dopamina nas áreas motoras do cérebro também são responsáveis pela patologia mal de Parkinson, a qual implica em tremores corporais incontroláveis nos pacientes.

 

O que é GABA e Glutamato

Outros neurotransmissores que merecem serem apresentados nessa lista são o GABA e o Glutamato. Ambos têm funções muito parecidas no nosso organismo, no entanto, um deles é um dos principais neurotransmissores excitatórios e o outro um dos principais neurotransmissores inibitórios.

GABA

Em 1950, Eugene Roberts e J. Awapara descobriram o ácido gama-aminobútrico, mais conhecido como GABA, que é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central dos mamíferos.

O GABA atua como um freio dos neurotransmissores excitatórios que causam a ansiedade. Pessoas com pouco GABA tendem a sofrer de transtornos de ansiedade, e medicamentos como o Valium funcionam aumentando os efeitos que a substância tem no nosso organismo. Se há a ausência de GABA em algumas partes do cérebro, podem se produzir epilepsias.

Glutamato

O glutamato é o equivalente excitatório do GABA. Ele é o neurotransmissor mais comum no sistema nervoso central e tem uma relação especial com a memória. Curiosamente, o glutamato é, na realidade, tóxico para os neurônios e, um excesso dele os mataria.

Algumas vezes um dano cerebral ou uma pancada forte na cabeça podem resultar em um excesso desse neurotransmissor, o que pode matar mais células cerebrais do que o próprio trauma em si. A esclerose lateral amiotrófica (ALS), por exemplo, é provocada por uma produção excessiva de glutamato.

O que é serotonina

Muitos não sabem, mas se descobriu que a serotonina está intimamente relacionada com a emoção e o estado de ânimo de cada um. Pouca serotonina pode levar a problemas de controle da raiva, transtornos obsessivo-compulsivo (TOC), depressão e até a suicídio.

Pouca serotonina também pode causar um aumento no apetite por carboidratos (alimentos ricos em amidos) e problemas com o sono, que também estão associados com quadros depressivos e outros problemas emocionais.

Medicamentos como o Prozac ajudam pessoas com depressão impedindo que os neurônios aspirem ao excesso de serotonina, que ficam "flutuando" nas sinapses.

É interessante também saber que tomar um simples copo de leite quente antes de dormir aumenta os níveis de serotonina. Isso por que a substância é um derivado do triptófano, que se encontra no leite, e não pela temperatura do alimento em si. Mesmo assim, o que sua avó dizia quando você era menor é certo: leite quente antes de ir para cama te ajuda sim a dormir.

Por outro lado, a serotonina também tem um papel importante na percepção. Drogas alucinógenas como o LSD funcionam aderindo-se aos receptores de serotonina nas vias perceptivas.

O que é endorfina

Para terminar esse artigo não poderíamos esquecer da endorfina, descoberta em 1973 por Candace Pert e Solomon Snyder[3]. Proveniente do nome "morfina endógena", o neurotransmissor contém estruturas muito parecidas com as dos opioides, como ópio, morfina e heroína, e funções semelhantes: a de gerar as sensações de prazer e reduzir a dor.

Ao mesmo tempo, a endorfina também é o neurotransmissor que ajuda os ursos e outros mamíferos a hibernarem durante o inverno.

Sendo assim, imagine. A heroína diminui o ritmo da taxa cardíaca, da respiração e do metabolismo em modo geral, exatamente o que você precisaria para hibernar. No entanto, com o uso excessivo dessa droga o resultado mais provável será o de uma hibernação permanente.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Esperimenti di Lowei, G. Dimostrazione della neurotrasmissione.
  2. Von Euler, U. S. (1956). Noradrenaline.
  3. Simantov, R., Kuhar, M. J., Uhl, G. R., & Snyder, S. H. (1977). Opioid peptide enkephalin: immunohistochemical mapping in rat central nervous system. Proceedings of the National Academy of Sciences, 74(5), 2167-2171.

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