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Consciência emocional: características, exemplos e atividades

 
Por Iván Piquero, Psicólogo. 15 junho 2021
Consciência emocional: características, exemplos e atividades

As emoções vêm permitindo que o ser humano adapte-se ao meio ambiente e garanta a sobrevivência de sua espécie ao longo da evolução. Todas nossas emoções contêm uma mensagem e nos movem a agir. Conhecê-las e sermos capazes de gerenciá-las não é uma tarefa simples, ao menos em algumas circunstâncias, mas contribui notavelmente para o bem-estar psicológico.

Sermos conscientes de nossas próprias emoções e das emoções dos demais é o primeiro passo para aprender a gerenciá-las. Pense em quantas vezes você parou para pensar em suas emoções, em identificá-las na forma de sensações corporais e pensou na mensagem que desejam transmitir a você.

Neste artigo de Psicologia-Online te contaremos o que é a consciência emocional: características, exemplos e mostraremos atividades para que você possa trabalhá-la.

O que é a consciência emocional

A consciência emocional refere-se ao conhecimento e reconhecimento das próprias emoções e das emoções dos outros. Depois de vermos a definição de consciência emocional, vamos falar de seus diferentes níveis.

Em 1987, Lane e Schwartz desenvolveram um modelo teórico que inclui cinco níveis de consciência emocional, cuja complexidade vai aumentando à medida que subimos de nível. Os mesmos autores também participam no desenvolvimento de um instrumento de evolução chamado "Escala de Níveis de Consciência Emocional"[1]no qual são descritos 20 cenários levantando situações que afetam as duas pessoas para, posteriormente, perguntar como se sentiriam ambas as pessoas. A seguir, te explicaremos brevemente em que consistem esses cinco níveis da consciência emocional:

  • Nível 1. Sensações corporais: esse primeiro nível envolve as sensações físicas que provocam a emoção: "tenho um nó no estômago”, “não me sinto bem” etc.
  • Nível 2. Tendência a agir: no segundo nível a pessoa prepara a ação, mas ainda sem ter identificado a emoção. Por exemplo, "não me sinto bem e quero ir embora".
  • Nível 3: Emoção única: este terceiro nível é no qual se identifica a emoção, por exemplo, "Tenho medo", "Estou surpreso/a" etc.
  • Nível 4. Mistura de emoções: nesse nível nossa emoção se mistura com a emoção de outra pessoa. "Se me derem o prêmio de melhor trabalhador e não ao meu colega, ficarei feliz e ele ficará triste”.
  • Nível 5. Combinação: este último nível representaria a combinação da mistura de emoções. Por exemplo: "Se me dão o prêmio de melhor trabalhador e não ao meu colega, ficarei feliz e ele ficará triste. E ainda ficarei preocupado por ele e ele com certeza ficará orgulhoso de mim”.

Características da consciência emocional

Por que é tão importante a consciência emocional? Quais benefícios nos proporciona? A autoconsciência emocional implica, de acordo com Daniel Goleman[2]:

  • Conhecer quais emoções sentimos e por que as sentimos.
  • Saber quais vínculos possuem nossos sentimentos, pensamentos, palavras e ações.
  • Criar consciência sobre como nossos sentimentos influenciam em nosso rendimento.
  • Ter um conhecimento básico de nossos valores e objetivos.

Exemplos de consciência emocional

Em nossa vida cotidiana podemos encontrar muitos exemplos relacionados ao reconhecimento de nossas emoções. Em alguns casos, esse reconhecimento é simples e, em outros, pode demorar mais para termos consciência delas. Vejamos alguns exemplos de consciência emocional:

  • Imagine que você deve fazer uma apresentação em público. Antes desse momento, você ficará muito nervoso, o que quer dizer que você tem certa ansiedade. Inclusive não demorará até você identificar em qual parte do corpo você está sentindo a dita ansiedade: "Tenho medo de me sair mal, tenho um nó na garganta", "Estou preocupado por não ser capaz de me explicar bem, tenho a boca seca” etc. Saber isso é um exemplo de autoconsciência emocional.
  • Pense agora na situação de pandemia que estamos vivendo: quais emoções você sofreu? Talvez esse exemplo de reconhecimento emocional seja mais complicado, já que estamos sentindo muitas emoções ao mesmo tempo: ira, tristeza, frustração... Separá-las e identificá-las será uma tarefa mais complicada, mas também é o que influenciará em seu gerenciamento, e também é um exemplo de autoconsciência emocional.
  • A consciência emocional também engloba o reconhecimento dos estados emocionais dos demais. Pense, por exemplo, nos trabalhadores sanitários que vemos sendo entrevistados na televisão: quais emoções estão sentindo quando falam do colapso nas UTIs? É a mesma emoção que aparece quando dão alta para os pacientes? Que tipo de emoções são identificadas em ambos os casos?
  • Por último, a um nível mais cotidiano, podemos ser conscientes de como um amigo se sente quando fazemos algum comentário que possa ter ofendido. É possível que ele sinta ira e nós, vergonha pelo nosso ato.

Atividades para trabalhar a consciência emocional

Para trabalhar a consciência emocional, podem ser realizadas algumas atividades de diversos tipos. A seguir, te mostraremos algumas diretrizes e atividades para trabalhar a consciência emocional:

1. Psicoeducação

A um nível mais teórico podemos documentar o que sentimos e ler sobre as emoções e o funcionamento emocional, conhecer quais os tipos de emoções existem, etc. Isso nos permitirá realizar outros exercícios mais práticos para criar consciência de nossas emoções.

2. Observação

A observação é uma forma de recolher informação de nós mesmos e nosso entorno. Pratique observar para criar consciência das emoções dos demais e utilize a auto-observação para criar consciência das suas. Pense onde e como você as sente: "sinto queimação no estômago", "tenho o pulso acelerado", etc. Preste atenção nas sensações corporais que você sente, aos seus pensamentos, às suas reações e observe a linguagem não verbal para interpretar e ser consciente das emoções dos demais.

3. Rotulagem das emoções

Ponha nome às emoções que você sente e às que você acredita que os demais sintam. Trate de conectar, também, a emoção com as causas que a provocam: em alguns casos será mais fácil ("estou nervoso porque tenho que falar em público") e em outras será mais complicado ("estou nervoso e não sei muito bem o porquê"). Aqui você encontrará uma lista de emoções positivas e negativas.

4. Situações

Outro exercício de autoconsciência emocional é o seguinte: considere algumas situações como suspender uma prova, anunciar uma gravidez, se casar com seu melhor amigo, o falecimento de um familiar, etc. E pense nas emoções que costumam sentir as pessoas nessas situações. De forma contrária, faça uma lista de emoções e considere situações que as provoquem.

5. Gráfico de rostos

Essa tarefa pode ser de grande ajuda no momento de trabalhar as emoções com crianças. Podemos oferecer a elas uma folha com uma série de círculos pintados e pedir que eles pintem no primeiro um rosto alegre, no segundo, um rosto triste e, no terceiro, um rosto zangado. Dessa forma, pensarão e criarão consciência de cada expressão que utilizamos quando sentimos cada emoção.

Neste texto sobre Como desenvolver a inteligência emocional, você encontrará mais atividades para trabalhar a consciência emocional.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

Se pretende ler mais artigos parecidos a Consciência emocional: características, exemplos e atividades, recomendamos que entre na nossa categoria de Emoções.

Referências
  1. LANE, R.D., Quinlan, D.M., Schwartz, G.E., Walker, P.A. y Zeitlin, S.B. (1990). The Levels of Emotional Awareness Scale: A Cognitive-Developmental Measure of Emotion. Journal of Personality Assessment, 55(1 y 2), 124-134.
  2. GOLEMAN, D. (1998). La práctica de la Inteligencia Emocional. Barcelona: Kairós.
Bibliografia
  • IRIARTE Redín, C., Alonso-Gancedo, N. y Sobrino, A.(2006). Relaciones entre el desarrollo emocional y moral a tener en cuenta en el ámbito educativo: propuesta de un programa de intervención. Revista Electrónica de Investigación Psicoeducativa, 4,1 (8), 177-212

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