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Emoções secundárias: quais são, características e exemplos

 
Por Sonia Silgado, Psicóloga. 12 abril 2021
Emoções secundárias: quais são, características e exemplos

As emoções fazem parte dos seres humanos e existem as positivas e as negativas. De forma geral, foram estabelecidos dois grupos para classificá-las: as emoções primárias e as emoções secundárias. As primárias são aquelas que respondem a nossos instintos e possuímos desde que nascemos. Por exemplo, a tristeza, a raiva, a alegria, etc. As secundárias surgem na raiz da combinação das emoções primárias e são aprendidas com o tempo, de acordo com a cultura e o contexto no qual nos encontramos. Estas não são universais em todas as pessoas e podem variar na forma como se expressam.

Neste artigo de Psicologia-Online, te contamos o que são as emoções secundárias: quais são, características e exemplos das mesmas.

Quais são as emoções secundárias?

Na hora de decidir quais emoções poderiam pertencer ao grupo das emoções secundárias, não se chegou a um consenso. Foram formuladas variadas propostas. A maioria dos modelos, incluindo o de Ekman[1] e o de Plutchik[2], afirmam que as emoções secundárias "universais" são as seguintes:

  • Vergonha: trata-se de uma sensação de mal-estar por não ser aceito/a pelos outros e um medo de parecer ridículo. Isto faz com que as pessoas transformem seu jeito de ser, evitem certas situações e façam todo o possível para não cometer nenhum erro na frente dos outros.
  • Culpa: é uma sensação de grande mal-estar. Quem sofre dela considera que cometeu um erro terrível e se sente merecedor de algum tipo de castigo. Pode-se dizer que é uma das emoções mais dolorosas.
  • Orgulho: é uma sensação positiva sobre si mesmo ou sobre o que se faz. É uma emoção, em geral, bem adaptada, que se relaciona com um alto grau de satisfação. No entanto, é possível ter esta emoção em excesso, o que provoca o isolamento social da pessoa.
  • Prazer: é uma emoção muito positiva e faz parte dos processos de motivação. Se algo produz prazer, nos motiva a continuar fazendo. Esta emoção pode ocorrer em qualquer área. Em alguns casos, pode deixar a pessoa com a visão distorcida.
  • Ciúmes: é um sentimento de possessão e luta para não perder aquilo que consideramos nosso. Possui sua base biológica, no entanto, tem um alta tendência a se tornar problemático ao ter esse sentimento em situações onde ele não é correspondido.

Características das emoções secundárias

As emoções secundárias possuem diversos traços distintivos. A seguir, veremos as principais características das emoções secundárias:

  • São o resultado da combinação das emoções primárias.
  • Tratam-se de emoções aprendidas: normalmente, começam a surgir aos 2 ou 3 anos de idade. Isto ocorre porque é necessário certo nível de consciência para poder desenvolvê-las, isto é, não são automáticas nem instintivas, como ocorria no caso das primárias.
  • Não são universais: não são iguais em todas as culturas, mesmo que tenham uma base similar.
  • Não são automáticas nem instintivas: ao contrário das emoções primárias, é preciso certo nível de consciência para poder desenvolver emoções secundárias. Por este motivo não são universais ou iguais entre culturas diferentes.
  • Em nível geral, possuem um maior grau de complexidade que as emoções primárias.
  • Contribuem com a formação de uma identidade: são o que nos diferencia uns dos outros. Logo, influem na forma que percebemos a nós mesmos e em nossa autoestima.

Exemplos de emoções secundárias

Mencionamos algumas das emoções secundárias que a maioria dos autores inclui em sua classificação. A seguir, veremos alguns exemplos de emoções secundárias, como podem chegar a se desenvolver e como podemos entendê-las:

Vergonha

No caso mencionado da vergonha, podemos nos encontrar diante de uma situação social na qual não conhecemos ninguém. Em um primeiro momento, surge a emoção primária de medo de ser rejeitado pelo grupo. Esta emoção tem sua origem em nossa biologia e obedece o instinto de sobrevivência. Segundo este instinto, se pertencemos a um grupo há mais possibilidades de sobreviver.

Culpa

Um dos exemplos de emoções secundárias, mais especificamente a culpa, são aquelas situações nas quais nossas atitudes possuem consequências negativas sobre pessoas que nos importam. Um exemplo disto pode ser uma situação onde você tenha prometido a sua avó que iria ir comer com ela e acaba não indo. Se sua avó te diz que está triste por você não ter ido, isso pode fazer você se sentir culpado pela tristeza dela.

Orgulho

O orgulho pode surgir de maneiras diferentes. Um exemplo é através da alegria quando você consegue um novo trabalho ou quando você completa seus estudos acadêmicos. Essa alegria por si mesmo se transforma em orgulho.

No entanto, uma combinação de raiva, tristeza e medo pode resultar em outro tipo de orgulho. Por exemplo, quando não queremos dar a razão para o outro e reconhecer que estávamos errados. A raiva por não estar certo, junto da tristeza por tal situação, somada ao medo de que nosso conceito sobre nós mesmos seja reduzido, se transforma em orgulho.

Prazer

Continuamos com mais exemplos de emoções secundárias. O prazer é uma emoção que pode ser experimentada em muitas áreas. Há uma infinidade de situações nas quais podemos sentir prazer. Por exemplo, pode-se sentir prazer por saborear uma comida deliciosa, por passar a tarde com alguns amigos/as, por tirar boas notas ou por se apaixonar por alguém.

Ciúmes

Os ciúmes são o medo de perder aquilo que considerávamos nosso. Alguns exemplos de ciúmes poderiam ser quando seu melhor amigo/a sai com outras pessoas e não passa tanto tempo com você, os ciúmes no relacionamento ou os ciúmes entre irmãos. Neste artigo, te contamos como deixar de ser ciumenta/o.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Referências
  1. Ekman, P., & Oster, H. (1981). Expresiones faciales de la emoción. Estudios de psicología, 2(7), 115-144.
  2. Plutchik, R. E., & Conte, H. R. (1997). Circumplex models of personality and emotions (pp. xi-484). American Psychological Association.
Bibliografia
  • Dalai Lama, T. G., & Ekman, P. (2008). Emotional awareness: Overcoming the obstacles to psychological balance and compassion: A conversation between the Dalai Lama and Paul Ekman. Times Books/Henry Holt and Co.
  • Vigotsky, L. S. (2004). Teoría de las emociones: estudio histórico-psicológico (Vol. 230). Ediciones Akal.

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