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Inteligência intrapessoal: o que é, exemplos e atividades para melhorá-la

Por Irene Alabau, Psicóloga. Atualizado: 7 novembro 2019
Inteligência intrapessoal: o que é, exemplos e atividades para melhorá-la

Howard Gardner revolucionou o conceito de inteligência nos anos 80. Sua Teoria das Inteligências Múltiplas rompe com a abordagem acadêmica da inteligência e mostra que o quociente intelectual é formado por diversos fatores ou tipos de inteligência. Essa teoria inclui a inteligência para compreender e nos relacionarmos com nossa própria pessoa, a chamada inteligência intrapessoal. Trata-se de uma inteligência intimamente ligada com as emoções, cujo desenvolvimento está relacionado com nosso bem-estar. Se você quer continuar aprendendo sobre esta inteligência, não deixe de ler nosso artigo de Psicologia-Online: Inteligência intrapessoal: o que é, exemplos e atividades para melhorá-la.

O que é inteligência intrapessoal

A inteligência intrapessoal é um dos tipos de inteligência reconhecida pelo psicólogo Gardner em sua Teoria das Inteligências Múltiplas. Essa inteligência está relacionada à qualidade de relação que temos com nós mesmos ou mesmas. Mas o que é a inteligência intrapessoal?

Inteligência intrapessoal: definição

A definição de inteligência intrapessoal consiste na capacidade e grau de autoconhecimento, assim como na habilidade de perceber e formar uma imagem individual verídica, o mais objetiva possível e ajustada à realidade. Essa inteligência implica a consciência e conhecimento das próprias intenções, motivações, desejos, estados de ânimo, emoções, capacidades, etc. Por fim, a inteligência intrapessoal consiste em ter autoconhecimento sobre como somos e o que queremos, e ser capaz de utilizar essa informação para um desempenho mais adequado na vida, assim como o desenvolvimento de um comportamento coerente. Essa capacidade nos permite analisar nossos pensamentos e sentimentos, saber o que acontece conosco, como abordar nossas necessidades emocionais e agir de forma que afete positivamente nosso bem-estar emocional.

Inteligência intrapessoal: Howard Gardner

As inteligências intrapessoais de Howard Gardner estão relacionadas com as capacidades de autoconsciência, autorregulação e motivação:

  • Autoconsciência ou autoconhecimento: implica o reconhecimento próprio de nossos sentimentos, pensamentos e reações, como nos afetam, assim como a causa encontrada na base deles. Compreende a consciência emocional, a autoavaliação das forças e fraquezas e a autoconfiança.
  • Autorregulação: refere-se à habilidade de agir com base no conhecimento prévio de nossas emoções. Também inclui a capacidade de refletir sobre as próprias emoções que estamos vivendo, as causas das mesmas e como agir com base nelas. Baseia-se na habilidade de autocontrole, confiabilidade, adaptabilidade e inovação.
  • Automotivação: é a habilidade na qual somos capazes de estabelecer, cumprir as metas e objetivos próprios e de realizar esforços com base no que queremos alcançar. A automotivação está relacionada com a capacidade de alcançar, o compromisso, a iniciativa e o otimismo.

Quanto à localização cerebral da inteligência intrapessoal, pode estar localizada principalmente nos lóbulos frontais, que são responsáveis pelas funções executivas e de regulação dos comportamentos das pessoas, e nos lóbulos parietais, encarregados da integração da informação. Também está localizada no sistema límbico, a parte emocional do cérebro.

Inteligência intrapessoal: características

Abaixo, listamos as características da inteligência intrapessoal:

  • As pessoas com essa inteligência são capazes de descrever e explicar as próprias emoções e sentimentos com precisão e de maneira detalhada. Além disso, elas são capazes de identificar as próprias emoções facilmente, já que prestam atenção ao seu estado físico e emocional e refletem sobre o mesmo.
  • Existe uma alta capacidade de introspecção, de modo que a pessoa se reflete e se auto-observa com o objetivo de se conhecer mais e ter uma maior consciência de si mesma. As pessoas com inteligência intrapessoal dedicam um tempo e desfrutam desta reflexão interna, sendo uma necessidade para elas. No artigo a seguir, você pode saber como fazer um exercício de introspecção.
  • Também costumam analisar suas próprias ações, já que tendem a tentar entendê-las, avaliá-las e aprender com os erros para ocasiões futuras.
  • As pessoas com inteligência intrapessoal têm um autoconceito ajustado à realidade sobre sua personalidade, pontos fortes e limitações. Este conhecimento favorece que sejam capazes de tomar decisões que repercutem de forma benéfica na própria pessoa com maior facilidade e a alcançar os objetivos propostos.
  • A inteligência intrapessoal promove a autocompaixão, sentimento pelo qual as pessoas entendem a si mesmas, seus próprios erros e têm a capacidade para se perdoar. Estar ciente das próprias limitações e das circunstâncias favorece que, em caso de erro, a pessoa não se martirize, mas que trate a si mesma com amabilidade e compreensão. A compreensão de si mesma promove o entendimento das causas do fracasso e como melhorar no futuro, sem cair no derrotismo.
  • As pessoas com este tipo de inteligência conhecem suas necessidades emocionais e como abordá-las de maneira mais eficaz. Também são capazes de saber o que querem e estabelecer metas e objetivos realistas com base nas suas motivações e nos conhecimentos de suas habilidades e circunstâncias. Por sua vez, a definição de objetivos realistas facilita que a pessoa se comprometa e se esforce para alcançá-los.
  • As pessoas com inteligência intrapessoal costumam praticar o autocuidado emocional de maneira mais competente. Essa competência maior deve-se ao fato de que são mais conscientes de si mesmas, do que necessitam e a forma de abordagem destas necessidades.
  • Essas pessoas têm um amplo vocabulário emocional e são capazes de entender e captar pequenas nuances de emoções.

Inteligência intrapessoal: profissões

As pessoas com elevada inteligência intrapessoal tendem a se sentirem atraídas por profissões como psicologia, psiquiatria, sociologia, filosofia, escrita, anatomia ou outras que envolvam habilidades analíticas.

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Inteligência intrapessoal: exemplos

Podemos encontrar na vida cotidiana exemplos de inteligência intrapessoal como:

  • Uma pessoa que presta atenção às suas próprias circunstâncias, seu estado emocional e físico e percebe que começa a se sentir triste. Ela está ciente que quando está triste não é capaz de tomar boas decisões e é positivo para seu estado de ânimo falar com seus amigos e dar um passeio. Com base nesse conhecimento, escolhe adiar uma decisão importante que estava pendente, até que esteja melhor emocionalmente. Também decide sair para passear e ligar para seu melhor amigo com o objetivo de melhorar seu estado emocional.
  • Outra pessoa que desiste de uma oferta de trabalho na qual uma das condições é ter que lidar com situações sociais difíceis, pois sabe que é uma pessoa extremamente sensível e apreensiva. Com base em seu próprio conhecimento de sua personalidade e competências, conclui que não poderia lidar com isso de forma competente e sem sofrer excessos, por isso, decide esperar por outra oferta de trabalho.

Inteligência intrapessoal: personalidades

Também encontramos celebridades com uma inteligência intrapessoal cultivada. Alguns exemplos de pessoas com um alto desenvolvimento da inteligência intrapessoal são Virginia Woolf e Carl Jung:

  • Virginia Woolf foi uma escritora britânica do século XX. Seus escritos e ensaios destacam-se pela análise que realiza sobre seus sentimentos e emoções, tanto no presente como no passado. Virginia realizava imersões em seu próprio mundo interior com o objetivo de entender melhor a si mesma e, posteriormente, refletia sobre suas reflexões e conclusões por escrito.
  • Carl Jung foi um psicólogo e psiquiatra suíço nascido no final do século XIX. Jung possuía uma alta capacidade para prestar atenção e analisar seus próprios sentimentos e emoções, o que o conduzia a investigar sobre eles com profundidade e finalmente elaborar teorias. Parte de seu método foi baseada no autoconhecimento e análise exaustiva de sua própria pessoa. Fundou a escola de psicologia analítica e realizou grandes contribuições no campo da psicologia que permanecem em vigor.

Inteligência interpessoal e intrapessoal: diferenças

Ambas as inteligências fazem parte da Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner e as inteligências interpessoal e intrapessoal são do tipo social e emocional. No entanto, abrangem capacidades e objetivos diferentes. A inteligência intrapessoal refere-se às capacidades e habilidades que possuem para se relacionar consigo mesmo ou mesma. Em contrapartida, a inteligência interpessoal refere-se às capacidades e habilidades em interações sociais com outras pessoas. Portanto, a inteligência intrapessoal é a capacidade de entender e ouvir a si mesmo, conhecer as próprias fraquezas e pontos fortes e agir em consequência deste autoconhecimento, enquanto que a inteligência interpessoal é a capacidade de entender as outras pessoas e agir de forma coerente. Ambas as inteligências são necessárias e importantes para uma vida emocional de qualidade e mais satisfatória.

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Inteligência intrapessoal: atividades para jovens e adultos

A inteligência intrapessoal é a capacidade de autoconhecimento realista e autorreflexão. Essa inteligência tem um impacto positivo em nosso bem-estar e consciência emocional, na tomada de decisões e no autocuidado. Além disso, ela é a base para nosso crescimento e desenvolvimento pessoal. Portanto, é importante cultivar e estimular essa capacidade, mas como desenvolver a inteligência intrapessoal? A seguir, indicamos uma série de atividades para desenvolver a inteligência intrapessoal:

  • Analise suas emoções: dedique um tempo para pensar sobre como você se sente ou se sentiu em diferentes situações, para nomear essas emoções e tentar verbalizá-las com outras pessoas. Você pode se apoiar nessa lista de emoções com seu significado. Essa análise favorece tanto a identificação precoce de possíveis emoções, como na compreensão das mesmas com base nas circunstâncias ou situações. Entender a si mesmo ou mesma e as suas emoções lhe capacita para o momento de tomar decisões com base em um conhecimento realista, e incentiva que você seja capaz de saber o que deve ser evitado e o que procurar com determinadas emoções para um maior bem-estar.
  • Registre suas emoções e sentimentos: apontar como temos nos sentido, o que acreditamos ter afetado essas emoções e descrever essas emoções de forma detalhada promove a autoconsciência. Escrever e registrar nossos pensamentos e sentimentos nos ajudam a refletir sobre eles, bem como analisar posteriormente todo o material junto facilita a tarefa de aprendizagem sobre a própria pessoa. Os registros e suas análises facilitam, por exemplo, que possamos descobrir que realizar certa ação nos faz sentir bem ou mal, do contrário, não seriamos capazes de decifrar essa relação ou conexão.
  • Dedicar um tempo para examinar nossa própria pessoa: é necessário deixar um espaço para refletir sobre nossa pessoa, nossos pontos fortes e fracos, para reconhecer nossas virtudes e pensar como podemos melhorar nossas limitações. Realizar essa tarefa por escrito pode facilitar o processo de autoconhecimento.
  • Verifique seus valores, prioridades e objetivos: nossas metas na vida vão mudando, assim como nossa própria pessoa. É por isso que é necessário buscar e criar momentos de reflexão sobre o que queremos, quais são as nossas necessidades e como elas evoluíram ao longo do tempo. Pode-se elaborar uma hierarquia de objetivos, avaliar o que nos falta para alcançá-los e o que poderíamos fazer em relação ao que nos falta. Também é importante avaliar aqueles objetivos que estabelecemos no passado e já alcançamos, avaliar o aprendizado, como nos fizeram sentir, etc.
  • Antecipar-se às possíveis situações difíceis: consiste em aplicar o conhecimento que possuímos sobre nossas forças e limitações para enfrentar situações futuras. Por isso, através da visualização e da imaginação podemos ter uma ideia da situação, em quais aspectos nos desenvolvemos adequadamente e em quais nem tanto, e gostaríamos de poder trabalhar neles para melhorá-los.
  • Encontre aquelas atividades que favorecem sua introspecção: é importante que você também conheça que tipo de atividades e estímulos promovem uma reflexão interna e contato com suas emoções. As pessoas são diferentes, de modo que o que é benéfico para outra pessoa pode não ser para você e vice-versa. No processo de autoconhecimento é importante que saibamos o que favorece nosso diálogo interno. Algumas dessas atividades podem ser colocar determinado tipo de música e ficar sozinho, praticar ioga, praticar meditação, pintar, tocar algum instrumento, praticar esporte, passear, conversar com outras pessoas sobre você e suas emoções, escrever sobre suas emoções, procurar por um especialista em psicologia, etc.
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Teoria de Inteligências Múltiplas de Howard Gardner

Segundo a teoria de inteligências múltiplas de Howard Gardner, existem 7 outros tipos de inteligência além da inteligência intrapessoal:

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Ernst-Slavit, G. (2001). Educación para todos: La teoría de las inteligencias múltiples de Gardner. Revista de Psicología, 19(2), 319-332.
  • Gardner, H. (2003). Intelligence in seven steps. New Horizons For Learning, Creating the Future. Report retrieved December, 21, 2005.
  • Shepard, R., Fasko, D. J., & Osborne, F. H. (1999). Intrapersonal intelligence: Affective factors in thinking. Education, 119(4), 633.

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1 comentário
Cristileine Leão
Esse artigo veio de encontro com a minha busca por autoconhecimento. Obrigada por compartilhar! Reforço ainda que as pessoas que têm inteligência intrapessoal às vezes são consideradas como egocêntricas, quando na realidade está na procura de evolução.

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