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Como lidar com pessoas fechadas

 
Por Cristina Alavedra Barceló, Psicóloga. 16 janeiro 2021
Como lidar com pessoas fechadas

Você está conhecendo alguém, ou tem um amigo/a, que nunca te falou de seus sentimentos ou torna muito difícil para você imaginar o que passa pela cabeça dele/a, pois parece não processar emoções. Você sempre rotulou essa pessoa como fria e distante, e já se perguntou mais de uma vez: Ele/a sente alguma coisa? Tem vergonha e não sente confiança para expressar suas emoções? É incapaz de sentir alguma coisa? Neste artigo de Psicologia-Online, vamos te explicar como lidar com pessoas fechadas que não expressam seus sentimentos.

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Pessoas emocionalmente distantes e suas causas

A falta de sentimentos e emoções pode surgir de situações diversas, e sua gravidade pode ser variável. A seguir veremos alguns exemplos que podem provocar essa falta:

Eventos traumáticos

Ter sido vítima de um evento traumático, seja na infância, adolescência ou na idade adulta, pode levar a pessoa a ter dificuldades na hora de expressar suas emoções e sentimentos.

Transtornos psicopatológicos

Sofrer de certos transtornos psicológicos pode dificultar a expressão emocional, por exemplo: a depressão, a esquizofrenia, o transtorno de espectro autista, o transtorno esquizoafetivo, os transtornos alimentares (TA) e os transtornos por abuso de substâncias ou vícios.

Doenças neurológicas

Certas doenças neurológicas também podem causar dificuldade de expressão das emoções, algumas delas são: o Parkinson, ter sofrido um derrame, os tumores cerebrais ou a esclerose múltipla.

Falta de educação emocional

Nos encontramos em uma sociedade onde cada vez mais damos importância à educação emocional. Mesmo assim, durante muito tempo as pessoas categorizaram as diversas emoções como "boas" ou "ruins", em função do que cada uma delas causava em nós. Tentou-se reprimir as consideradas ruins, como a tristeza ou a raiva, com frases como: "não chore por isso" ou "não é nada". Comentários como estes, geram dificuldade para as pessoas realmente expressarem o que sentem e as levam a tentar reprimir. Viver em uma sociedade que reprime certos sentimentos, pode levar a problemas tanto na hora de senti-los quanto na hora de expressá-los. Precisamos de uma educação que nos ajude a entender que todas as emoções fazem parte de nossa vida, são necessárias para nosso dia a dia e devemos poder expressá-las para geri-las.

Por que há pessoas que não expressam nem demonstram seus sentimentos?

Há pessoas que possuem muita dificuldade para expressar seus sentimentos, pois também sentem dificuldade para identificá-los, tanto nelas mesmas como em outras pessoas. Parece então que a pessoa é fria, distante e superficial, mas em muitos casos pode ser que a pessoa padeça de alexitimia. A pessoa com alexitimia é incapaz de expressar emoções e de reconhecê-las em outras pessoas, o que a leva à uma falta de empatia. Sua comunicação geralmente é muito simples e objetiva. Estabelecem relações baseadas no benefício comum e não no afeto, nos sentimentos e emoções. Pode parecer que se acham superiores por seu comportamento e atitude, que os tornam distantes dos outros. Tudo isso é consequência desta incapacidade de saber o que sentem e o que a pessoa ao lado sente.

Como lidar com pessoas fechadas

Algumas dicas simples podem fazer a diferença na hora de lidar com pessoas fechadas:

1. Tomar consciência

O primeiro passo para ajudar alguém a expressar seus sentimentos, é torná-lo consciente de que apresenta dificuldades neste âmbito, e que isto é um problema tanto para ele, quanto para seu entorno. Para isso, é bom utilizar uma comunicação assertiva. Apesar de suas dificuldades para se conectar com o afeto, não nos convém empregar a mesma comunicação fria e distante que a outra pessoa utiliza.

  • Exemplo: "Não sei se você notou, mas em certos casos brigamos muito porque sinto que você não me entende, e apesar de eu te explicar claramente o que sinto, parece difícil para você entender. Notei que isso também te afeta e, logo, afeta a nós dois. Acho que você deveria procurar ajuda. Eu vou estar presente em todo o processo."

2. Reconhecer as emoções

O primeiro passo para expressar emoções e sentimentos, é identificá-los. Reconhecer as emoções nos permite criar uma imagem mais elaborada de si mesmo, para isso, pode ser útil:

  • Livros que falem de emoções.
  • Ver imagens com as diferentes expressões emocionais e as reconhecer.
  • Associações de cor com a emoção, como por exemplo, o vermelho com a raiva ou o amarelo com a alegria. Podemos pedir que a pessoa escolha uma cor e depois nos diga o porquê desta cor. Não vale só dizer porque gosta da cor, deve-se ir um pouco mais além, esperar respostas como: me gera paz e tranquilidade e depois aproveitar para perguntar: é assim que você se sente?
  • Jogos emocionais.

3. Psicoeducação

Uma vez que a pessoa reconheça as emoções, é importante explicar a ela que as pessoas, para ficarem bem consigo mesmas, tentam agir em congruência com seus pensamentos e sentimentos. Por exemplo, se você não gosta dos filmes de terror porque sente muito medo, o mais lógico é você não comprar uma entrada para o cinema quando vai passar um filme que dá medo. Deste modo, estamos agindo em concordância com o que pensamos e sentimos. Pode ser útil que a pessoa que não reconhece suas emoções exponha uma situação e tenha que dizer como pensa a respeito da situação, como se sente e como agiria.

4. Autorregulação emocional

Se não tomamos consciência das emoções que sentimos, quando as identificamos, também pode ser difícil para gerenciá-las. As emoções são comuns em todos, mas cada pessoa pode sentir a mesma emoção de uma forma diferente. Há quem, diante da tristeza, se resguarda, há quem chora e há quem a esconde pois não quer senti-la. Conhecer as emoções e colocar nome nelas pela primeira vez pode ser assustador, por isso é possível utilizar certas técnicas para nos ajudar, como as que veremos a seguir.

5. A respiração

Quando nos alteramos, a respiração fica acelerada, isso faz com que nossa capacidade de voltar ao equilíbrio também seja prejudicada. É importante que, quando percebemos que algo está nos oprimindo, possamos tirar uns minutos para inspirar e exalar o ar, e observar como ele entra e sai de nosso corpo. O fato de prestar atenção na respiração pode nos ajudar a voltar a nosso estado base e enfrentar a emoção de outra forma, mais calma. Aqui você encontra exercícios de respiração.

6. Time out / intervalo

Outra técnica que pode ser útil quando uma emoção nos oprime e pode prejudicar outra pessoa ou a nós mesmos - você percebe que vai começar a discutir ou que não se sente bem consigo mesmo - você pode sair para caminhar, escutar música, ler ou fazer algo que simplesmente te relaxe.

7. Dar retorno (feedback) emocional

Uma das coisas que podemos fazer quando uma pessoa não expressa as emoções, é utilizarmos expressões de linguagem com emoções, como "eu me sinto" ou "isto me faz sentir". Desse modo a pessoa vai se familiarizando com as emoções nos outros e isso pode servir como espelho para ela.

8. Localizar as emoções no corpo

É importante conhecer bem nosso corpo para saber o que acontece conosco. Há diferentes emoções e sentimentos descritos que podem surgir em nosso corpo e se expressar de forma fisiológica. Por exemplo: quando ficamos nervosos, há quem soe mais, quem sente dor na barriga, quem vai menos ao banheiro ou até quem sinta palpitações. Saber detectar os sinais corporais pode ajudar a nos conectarmos com nossas emoções.

9. Começar um diário de emoções

Fazer um diário emocional pode ser uma boa atividade para evidenciar por escrito aquilo que temos sentido durante nossa jornada. Se observarmos que as emoções não são difíceis, podemos começar explicando a atividade que realizamos e em seguida como isto nos fez sentir. Incentivar uma pessoa a fazer isso, é uma forma de ajudar se ela não expressa seus sentimentos.

10. Desenhar

Talvez existam pessoas que se sintam mais cômodas dando forma ao que sentem através da arte de desenhar. Se você ver que alguém tem muita dificuldade de se abrir, mas possui habilidade com a pintura, sempre se pode começar por aí, expressando o se que sente com o desenho.

11. Trabalhar a empatia

Para trabalhar a empatia (a capacidade de compreender a vida emocional de outra pessoa), ao percebermos que é algo difícil para a outra pessoa, podemos começar com cartões ou imagens que representem situações diferentes e que a pessoa explique o que está acontecendo e como se sente, em seguida este processo pode ser feito com a pessoa ao lado.

12. Habilidades sociais

Para ajudar uma pessoa com alexitimia, depois de tentar todos os passos anteriores, podemos introduzir modos de enfrentar situações cotidianas. Trata-se de simular uma situação na qual podemos encontrar quando nos relacionamos em nosso dia a dia. Uma vez que a pessoa tenha imaginado, podemos criar um pequeno conflito e perguntar a ela como se comportaria nesta situação.

13. Reforço positivo

Para ajudar alguém a falar de seus sentimentos, é importante que o entorno da pessoa valide e reforce os pequenos progressos que a pessoa for fazendo, para manter a motivação e valorizar o esforço.

14. Não julgar

A maioria das pessoas tendem a julgar rapidamente certas atitudes ou certos comportamentos. É importante que quando detectarmos que uma pessoa tem incapacidade para expressar o que sente de verdade, ao invés de julgar, estendamos a mão para ajudar.

15. Oferecer apoio

O apoio social é uma das coisas mais importantes durante um processo de mudança; precisamos que as pessoas ao nosso lado nos motivem a continuar com este processo. Se não, nossa motivação pode acabar reduzida.

  • O que você acredita que desencadeou o conflito?
  • Qual o seu papel nesta situação?
  • O que você pensa sobre o conflito?
  • O que você acredita que a outra pessoa está pensando?
  • Há pontos em comum?
  • Como você expressará o que pensa?
  • É possível chegar a um acordo?

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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Bibliografia
  • Krystal, H. (1979). Alexithymia and psychotherapy. American journal of psychotherapy, 33(1), 17-31.
  • Stone, W.L., & Lemaneck, K.L. (1990). Development issues in children’s self-reports. In A. M. La Greca (Ed.), Through the eyes of the child: Obtaining self-reports from children and adolescents (pp.18-56). Boston: Allyn and Bacon.

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