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Síndrome da alienação parental: sintomas, consequências e soluções

 
Por Marissa Glover, Psicóloga. 15 abril 2019
Síndrome da alienação parental: sintomas, consequências e soluções

Você sabe o que é Alienação Parental? A Síndrome de alienação parental (SAP) é um conjunto de sintomas que os filhos manifestam quando são manipulados sentimentalmente pelos pais, através d variadas estratégias que têm como finalidade fazer com rejeitem o outro pai sem qualquer justificação. Acontece normalmente em casais separados ou divorciados e alguns exemplos de casos nos quais ocorre incluem quando o pai tem outra pessoa e a mãe diz à criança que o pai já não a ama do mesmo jeito, ou quando o pai que vive com o filho diz à criança que a mãe não quer vê-lo quando na verdade não o permite. Esse tipo de comportamentos costuma provocar sentimentos e emoções muito negativos que não permitem que a criança se encontre bem emocional e psicologicamente, além de criar rejeição em relação ao outro progenitor. Em alguns casos, o progenitor manipulador chega a destruir totalmente a relação do filho com o o outro. É essencial refletir sobre este síndrome, já que os filhos são os mais prejudicados.

Nesse artigo de Psicologia-Online - síndrome da alienação parental: sintomas, consequências e soluções - vamos analisar este tema detalhadamente e oferecer uma série de conselhos para solucionar o problema.

Alienação parental: características do progenitor alienador

Consideramos que um pai pratica alienação parental quando manipula os seus filhos de forma progressiva com a intenção de destruir totalmente a relação entre eles e o outro progenitor. Algumas características ou sintomas que os pais alienadores têm em comum são:

Síntomas psicológicos

  • Querem ter o controle total da vida dos seus filhos, pelo que evitam promover a individualidade deles e prepará-los para que tomem as suas próprias decisões e desenvolvam um critério próprio a todo o custo.
  • São pessoas altamente dependentes que querem sempre ter os seus filhos junto a elas para suprir suas carências afetivas e, assim, poder controlar a ansiedade que sentem ao separar-se dos mesmos.
  • Têm baixa auto-estima e necessitam de atenção constante dos filhos para se sentirem valorizados.
  • São incapazes de se colocar-se no lugar dos seus filhos e de qualquer pessoa em geral. Possuem pouca empatia em relação aos outros e parece que tudo gira em torno deles mesmos.
  • Manipulam constantemente os seus filhos e os outros com o objetivo de conseguir o controle dos seus filhos e de prejudicar o seu ex.
  • Controlam o tempo que os filhos passam com o outro progenitor, já que separar-se deles, mesmo que por pouco tempo, provoca um grande sentimento de angústia e desamparo neles.
  • Evitam, sempre que possível, ser avaliados por profissionais da psiquiatria ou psicologia porque sabem que serão descobertos.

Sintomas comportamentais

  • Não mantêm o outro progenitor ao corrente de tudo relacionado com os filhos. Por exemplo, deixam de informá-lo sobre o que acontece na escola, de como eles se encontram de saúde, o quanto sentem a sua falta, entre outras coisas importantes.
  • Tratam de impedir que o outro progenitor visite os seus filhos e, para isso, programam atividades para mantê-los ocupados o máximo de tempo possível.
  • Evitam que os filhos recebem cartas, presentes, encomendas, etc., que o outro progenitor envia sempre que conseguem.
  • Caso o outro progenitor esteja com outra pessoa, podem inventar coisas negativas sobre ela e até dizer aos filhos que eles foram passados para segundo plano.
  • Não só manipulam os filhos, como também tratam de manipular todas as pessoas em redor como a família e amigos para que fiquem contra o outro progenitor.
  • Podem tentar mudar os nomes e/ou apelidos dos filhos.
  • Costumam ameaçar os filhos se eles demonstram desejo de estar com o outro progenitor.
  • Culpam o outro progenitor pelo mau comportamento dos filhos.
  • Não consideram a opinião do outro progenitor na hora de tomar decisões importantes na vida dos seus filhos.
  • Podem até chegar a destruir objetos que o outro progenitor ofereceu aos filhos.
Síndrome da alienação parental: sintomas, consequências e soluções - Alienação parental: características do progenitor alienador

Síndrome da alienação parental: sintomas nos filhos

Quando os filhos são constantemente manipulados pelo progenitor alienador para que desenvolvam rejeição em relação ao outro, começam a manifestar uma série de sintomas que podem evidenciar que sofrem de síndrome de alienação parental. Alguns dos sintomas mais comuns que costumam surgir nas crianças são:

  • Rejeitam claramente o outro progenitor e tentam evitar qualquer tipo de encontro com ele.
  • Falam de forma negativa sobre o outro progenitor, podendo mesmo chegar a insultá-lo.
  • São incapazes de colocar-se no lugar do outro progenitor, mesmo se ele demonstra que se sente mal com a rejeição.
  • Costumam utilizar e repetir frases próprias do progenitor alienador nas quais julgam e criticam o outro progenitor sem justificação.
  • Podem manifestar uma mudança evidente no comportamento físico e verbal, tornando-se mais agressivos.
  • Empregam comportamentos onde a sua rejeição em relação ao outro progenitor é evidente, comportamentos esses que serão premiados pelo pai alienador.
  • Mostram receio para expressar o seu desejo de contato com o outro progenitor.

Consequências da alienação parental

A síndrome de alienação parental pode trazer muitas consequências para as crianças. Algumas dessas consequências de alienação parental que podem surgir são:

  • Podem tornar-se severamente retraídos, tímidos ou até mesmo muito violentos.
  • Ganham um medo exagerado do abandono.
  • Podem chegar a sofrer de depressão.
  • Como conviveram tanto tempo com o progenitor manipulador, aprendem a adotar este tipo de comportamento, pelo que tendem a manipular os pais e as pessoas em seu redor.
  • Demonstram um rendimento escolar baixo.
  • Possuem problemas de autoestima, pelo que começam a carecer de amor próprio.
  • Apresentam sentimentos de culpa.
  • Com o tempo, podem chegar a cortar relações com os dois pais.
  • Em casos mais graves, podem chegar a adotar comportamentos delinquentes como forma de se vingarem dos pais.
  • Se frustram facilmente perante qualquer tipo de incidente ou situação.
  • Possuem dificuldades para construir relações amorosas estáveis, assim como de amizade.
Síndrome da alienação parental: sintomas, consequências e soluções - Consequências da alienação parental

Alienação parental: o que fazer

Para solucionar a síndrome de alienação parental, é essencial que os pais tomem consciência da profundidade dos danos que podem provocar nos seus filhos, já que na maioria dos casos não são conscientes das repercussões que isso pode trazer-lhes a curto e a longo prazo.

Em alguns casos, é necessário recorrer a profissionais para que atuem como intermediários e se encarreguem de vigiar e garantir o bem-estar dos filhos. No entanto, existe uma série de conselhos e recomendações que devem ser tidas em conta quando o problema já foi identificado e se busca uma solução, mesmo que o mal já tenha sido feito. Alguns desses conselhos para os pais que perguntam "o que fazer em caso de alienação parental?" são:

  • É necessário que o pai alienador receba ajuda de um profissional para curar essas feridas emocionais que provavelmente terá desde a própria infância.
  • Promover uma melhora da relação entre os dois pais. Para isso, é possível recorrer a um profissional para que possam melhorar a forma como interagem e agir em benefício dos filhos.
  • Melhorar a comunicação com os filhos para que tenham a confiança para expressar abertamente o que sentem e, ao mesmo tempo, ajudá-los a superar os seus medos e dúvidas.
  • Cada vez que se pretenda falar mal do ex parceiro ou parceira, ter em conta o dano severo que isso provoca nos filhos e evitá-lo.
  • Manter o contato com os filhos, detectar e suprir as necessidades deles.
  • Garantir que os filhos são avaliados por um psicólogo para detectar as necessidades deles e resolver possíveis conflitos internos provocados pelo síndrome de alienação parental.
  • Manter o objetivo de zelar pelo bem-estar físico e psicológico das crianças claro e firme.
  • Conversar com o pai alienador de forma pacífica e insistir para que tome consciência dos danos que está provocando nas crianças e se mantenha firme quando as regras e normas estabelecidas se apliquem, como é o caso das visitas, do contato telefónico frequente com eles, informação sobre a vida deles, etc.

Este artigo é meramente informativo, em Psicologia-Online não temos a capacidade de fazer um diagnóstico ou indicar um tratamento. Recomendamos que você consulte um psicólogo para que ele te aconselhe sobre o seu caso em particular.

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